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Por que a cabeça, o bolo com farofa e a bruxa folclórica são todos “cuca”?

Não vamos dar spoilers: a resposta começa na Grécia Antiga, passa pela colonização portuguesa, os escravos africanos e a Silésia.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 29 out 2020, 17h09 - Publicado em 15 Maio 2019, 14h25

Saiba desde já que a cabeça e a bruxa têm uma origem bem diferente do bolo com farofa. Vamos começar com esses dois primeiros.

A origem da palavra cuca para designar “cabeça” ou “coisa ao alto” é controversa, mas é provável que derive do grego kókkus. Outra origem possível é a palavra cucullus, que em latim significa “capuz”. Esse capuz também pode ser entendido como aqueles cabeções de papel ou espuma usados por palhaços. E é aí que passamos para a outra cuca.

Acredita-se que a cuca folclórica tenha vindo de uma lenda portuguesa contada para assustar crianças. Ela chegou ao Brasil no período da colonização e sofreu várias adaptações. Na Europa, ela se chamava coca e era representada por um dragão.

Já aqui, ela tem a forma de uma idosa encurvada – com cabeção de jacaré. Isso é porque a cuca brasileira também sofreu influência de palavras africanas como iakuka, em quimbundo, e kuka, em umbundo, que designam uma mulher velha e feia.

Já o bolo com farofa é bem mais simples: vem de Kuchen, que significa “bolo” em alemão.

Esse delicioso doce surgiu em uma região chamada Silésia, que hoje compreende os territórios da Polônia, Alemanha e República Tcheca. Ele foi trazido para o Brasil pelos imigrantes europeus e se estabeleceu principalmente no sul e sudeste. Hoje podemos encontrar a cuca em várias padarias – só cuidado pra ela não te pegar. Nem daqui e nem de lá.

Fonte: Deonísio da Silva, autor de De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa

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