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Por que cachorros de raças menores são mais bravos?

Há muitas variáveis em jogo. Uma é o passado de cada raça. Outra é o fato de que um cachorro pequeno, mesmo enfurecido, não é uma ameaça tão grande.

Por Luisa Costa, Bruno Vaiano Atualizado em 28 jul 2021, 11h54 - Publicado em 8 jul 2021, 16h31

Esta pergunta chegou à Super formulada como “Por que o Satanás escolheu o pinscher como sua sucursal na Terra?” O que diz muito sobre a fama do cãozinho alemão.

Primeiro é bom ter em mente que cachorros são criações artificiais: ao longo dos últimos 12 mil anos, os seres humanos selecionaram os filhotes de lobo que tinham comportamento mais dócil e compreendiam melhor nossas instruções. Isso criou uma linhagem de animais domesticados sob medida para nossas necessidades.

Antigamente, quando cães eram ferramentas de trabalho além de companheiros, cada raça foi moldada para cumprir uma necessidade prática. Os salsichinhas, por exemplo, eram caçadores de texugos, e são baixinhos e compridos para acessar as tocas com mais facilidade. Esses animais subterrâneos eram pragas e destruíam plantações.

Os pinschers também eram caçadores de pequenas pragas e cães de guarda. Mesmo que o cãozinho não fosse capaz de derrotar uma pessoa, ele dava uma bela sirene.

Sendo assim, não era um problema que esses pequenos fossem pavio curto. Pelo contrário: esse era o objetivo. Nós é que pegamos cachorros funcionais e os transformamos em chaveiros. Chaveiros que, às vezes, dão a louca.

Esse é um ponto: as peculiaridades de cada raça. Nem todo cachorro pequeno é bravo, e nem todo cachorro grande é dócil. Tudo depende, em primeiro lugar, da razão desse cachorro existir.

Mesmo assim, é um fato verificado que a maioria das raças pequenas é mais agressiva que a maioria das raças grandes.

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Uma hipótese para explicar isso é que cães pequenos, independentemente de sua história evolutiva, não são tão ameaçadores quanto cães grandes. Um pinscher latindo para o vizinho no portão é só engraçado, mas um golden retriever tentando morder alguém é um perigo real.

Assim, a seleção pelo comportamento dócil foi bem mais light em cachorrinhos do que em cachorrões – mesmo no caso dos cães de pequeno porte mais inofensivos, como lulus da pomerânia ou yorkshires. Eles não dão tanto medo.

Essa lógica genética se reproduz no nível comportamental. Na maneira como educamos nossos pets.

Nós adestramos cães grandes com cuidado e buscamos ajuda profissional quando são agressivos, porque não é fácil segurar um bicho de 80 kg se ele for malcriado. Por outro lado, não há estímulo para educar um pinscher. Pelo contrário, tendemos a tratá-lo como um bebê: muito colo, pouca bolinha.

A isso, se soma o fato de que humanos são invasivos no trato com bichos pequenos. Ninguém passa a mão num pitbull com a mesma convicção com que agarra um chihuahua.

Em geral, cães de qualquer porte expostos a interações sociais nos primeiros quatro meses crescem mais confiantes e menos agressivos, independentemente de seus traços genéticos. Ou seja: não seja superprotetor com cachorros pequenos. Ao impedi-los de interagir e criar laços, você pode acabar criando um bichinho mais arisco – e assim o clichê do pinscher de Satanás se torna realidade.

 

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