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Destaques de 2011 da SUPER: Os 10 melhores livros do ano

Por Redação Super Atualizado em 21 dez 2016, 10h12 - Publicado em 12 dez 2011, 14h23

Por Karin Hueck, editora da SUPERINTERESSANTE

Livro tem de monte por aí. Mas livros bons com a cara da SUPER são poucos. Confira as melhores publicações de não-ficção de 2011 que você não deveria perder.

10. Mentes e manias
Poucos males são tão universais e paralisantes quanto a ansiedade: ela é a origem de inúmeras doenças perigosas, como fobias, síndrome do pânico, stress-pós-traumático e TOC. Neste livro, a best-seller Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu Mentes Perigosas (aquele sobre psicopatas), resolveu se dedicar à ansiedade, explicando causas e tratamentos. E você vai entender, finalmente, por que é tão difícil se livrar da sensação incômoda de aperto no peito.
Mentes ansiosas, Ana Beatriz Barbosa Silva, Fontanar, 280 páginas, R$ 32,90

9. Proust foi um neurocientista
Quando Cézanne resolveu chutar o balde do impressionismo e transformar as paisagens que retratou em borrões, ele ganhou o apelido carinhoso de “pedreiro da pintura”. Mas, de acordo com o novo livro do jornalista Jonah Lehrer, ele estava é fazendo neurociência. Cézanne havia percebido que o cérebro precisa de pouquíssimas dicas para entender o que está sendo retratado. Para Lehrer, Stravinsky, Proust e Virginia Woolf também anteciparam as descobertas mais modernas da ciência em suas obras. Neste livro você entende por quê.
Proust Foi Um Neurocientista, Jonah Lehrer, 368 páginas, BestSeller, R$ 54,90.

8. O fim da guerra
“A guerra contra as drogas fracassou.” Quem disse isso não foram universitários exaltados, mas ex-presidentes do México, Brasil e Colômbia, um ex-secretário-geral da ONU e um ex-presidente do Banco Central americano – todos membros da Comissão Global de Política de Drogas. É com isso em mente que o jornalista Denis Russo Burgierman viajou por 5 países para observar o que as sociedades têm feito para conviver com uma droga: a maconha. Na Holanda, conheceu as salas de tratamento nas quais usuários podem usar drogas sob o cuidado do governo, mas que estavam vazias. Simplesmente não havia mais dependentes para tratar. Em Portugal, Denis testemunhou o único país que tirou as drogas do sistema judiciário e as trata como uma questão de saúde. Por lá, se você for apanhado usando, vai ser encaminhado para conversar com psicólogos, médicos ou assistentes sociais – nada de policiais. Em comum, todas têm uma coisa: desistiram de fazer guerra e tentam traçar novos caminhos.
 O fim da guerra, Denis Russo Burgierman, Leya, 288 páginas, R$ 29,90.

7. A cabeça do cachorro
Os cães medem o tempo a partir do olfato: quanto mais fraco estiver um cheiro, mais tempo se passou entre agora e o momento em que ele foi liberado. Da mesma forma, erguem o rabo para deixar o traseiro à mostra, mostrando assim que estão amigáveis, dispostos a interagir com outros cachorros. São essas as sutilezas que conta este livro, mostrando que os sentidos dos nossos melhores amigos são totalmente diferentes dos nossos. Entenda finalmente o que eles estão querendo dizer quando fazem xixi em você (dica: eles estão tentando se comunicar).
A cabeça do cachorro, Alexandra Horowitz, 420 páginas, BestSeller, R$ 39,90.

6. Comer animais
“A esteira transportadora arrasta as aves por uma banheira de água eletrificada. Isso provavelmente as paralisa, mas não as torna insensíveis. O passo seguinte na linha de abate é um cortador automático de pescoço. A menos que as artérias principais não sejam atingidas, o sangue vai se esvair devagar. Inúmeros funcionários descrevem aves vivas e conscientes indo para o tanque de escaldamento.” Apesar de esse livro dizer que não é uma defesa do vegetarianismo, é exatamente isso que ele faz. Mas nem todas as páginas são sanguinolentas como o trecho acima – a maior parte é uma imensa reportagem que explica como chegamos aos métodos atuais de produção de carne e tenta fazer o leitor pensar no significado de comer outro ser vivo para sobreviver. Nem mesmo o maior fã de churrascos vai ficar com a consciência tranquila quando colocar o próximo bife no prato. Mérito do autor, Jonathan Safran Foer, escritor americano jovem e badaladinho, que escreveu também Tudo Se Ilumina, Extremamente Alto & Incrivelmente Perto.
Comer Animais, Jonathan Safran Foer, 320 páginas, Rocco, R$ 41,50

5. Muito além do nosso eu
Miguel Nicolelis, neurocientista lembrado sempre como a maior chance brasileira de ganhar um Nobel, tem o sonho de fundir cérebro e máquina. Mais do que isso: ele tem o sonho que o pontapé inicial da Copa de 2014 aqui no Brasil seja dado por uma criança tetraplégica, com a ajuda de uma prótese mecânica controlada por seu cérebro. Neste livro, Nicolelis explica como nosso cérebro funciona, como os pensamentos são formados, e como ele pretende tornar todos esses sonhos em realidade.
Muito Além do Nosso Eu, Miguel Nicolelis, Companhia das Letras, 552 páginas, R$ 39,50.

4. O terceiro chimpanzé
O chimpanzé é um ser humano como outro qualquer. Ou melhor, o ser humano é um chimpanzé como outro qualquer. Partindo desse princípio, o geógrafo e ganhador do Pulitzer Jared Diamond tenta encontrar quais são, então, as pequenas diferenças que nos distanciam dos primatas. Aí vale atirar para todos os lados – ele analisa nossos hábitos sexuais, nosso gosto pelas drogas, nossas relações sociais. E conclui: o que realmente nos torna especiais é a nossa laringe. Quer entender? Leia o livro.
O terceiro chimpanzé, Jared Diamond, Record, 448 páginas, R$ 59,90

3. Em casa
Até o século 13, na Inglaterra, as casas eram uma espécie de galpão sem quartos ou divisórias, no qual famílias, servos e escravos moravam. Refeições, conversas e relações íntimas eram feitas todas no mesmo ambiente, geralmente ao redor de uma grande fogueira no centro que aquecia o local. Como não havia escape para o fogo, as pessoas conviviam com fumaça acima da cabeça. Quando, enfim, em 1330, as primeiras chaminés foram inventadas, nasceu com elas um espaço livre de fumaça perto do teto– e a possibilidade de construir um segundo andar. Assim foram criados os aposentos privados, os quartos e, enfim, a separação física entre senhores e escravos. As nossas casas guardam dentro de si a história da humanidade: de culturas distantes, de guerras e de relações sociais. É (toda) essa a história que Bill Bryson conta neste livro.
Em casa – uma breve história da vida doméstica, Bill Bryson, Companhia das Letras, 533 páginas, R$ 49.

2. Crash
Em Todos os Fogos o Fogo, o argentino Julio Cortázar narra dois incêndios: um na Roma Antiga e outro na Paris do século 20. As histórias se desenvolvem de forma parecida e têm o mesmo desfecho – mostram, que não importa tempo e espaço, o fogo transforma duas realidades distintas em uma só. Em Crash, acontece a mesma coisa: com as crises econômicas fazendo o papel do fogo. O livro traça paralelos entre crises do presente e do passado. Mostra, por exemplo, as semelhanças entre a inflação do Brasil dos anos 80 e a do Império Romano no século 2 – as duas foram criadas por governos corruptos, as duas passaram por congelamentos de preços que só pioraram a situação, as duas terminaram depois de planos econômicos voltados para a valorização da moeda: aqui, o Plano Real, lá, o “Plano Sólido”. Crash, escrito pelo editor da SUPER Alexandre Versignassi, mostra que essas semelhanças não são coincidência, mas o sintoma de uma única doença – a incapacidade do cérebro em lidar de forma racional com a ideia de dinheiro.
Crash – uma breve história da economia, Alexandre Versignassi, Leya, 320 páginas, R$ 39,90

1. A vida imortal de Henrietta Lacks
Em 1961, durante a segregação racial, Henrietta Lacks era uma americana negra e pobre que teve câncer de colo de útero. Sem que ela soubesse, um pedaço de seu tumor foi retirado, analisado em laboratório – e virou a primeira linhagem de células que conseguiu se multiplicar fora do corpo humano. As células de Henrietta foram mandadas à lua, ajudaram a criar a vacina contra a pólio e se transformaram em um negócio multibilionário. Henrietta, no entanto, não chegou a testemunhá-lo. Morreu em 1961 do mesmo tumor que salvaria milhões de vidas – e sua família vive na pobreza até hoje. Você nunca imaginou que células pudessem render uma história tão cheia de reviravoltas e intrigas. E ela está toda neste livro.
A vida imortal de Henrietta Lacks, Rebecca Skloot, Companhia das Letras, 456 páginas, R$ 42.

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