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Designer egípcia combate preconceito ensinando árabe com LEGO

O árabe tem 29 letras, cada uma com quatro variações. Para Ghada Wali, ensinar uma língua tão difícil de forma didática é a chave para a tolerância

Por Bruno Vaiano 13 set 2017, 17h14

Você achava as aulas de português difíceis e cheias de regras? Está reclamando de barriga cheia.

Crianças que estão sendo alfabetizadas em árabe precisam aprender 29 letras, três a mais que nós. Cada uma delas vêm em quatro versões diferentes: inicial, isolada, medial e final, que são usadas – como já deu para adivinhar pelos nomes – de acordo com a posição que elas ocupam no interior da palavra.

Só para dar um exemplo prático, é como se você fosse obrigado a colocar um acento circunflexo no “o” toda vez que ele está no final de uma palavra. E um acento agudo quando ele está no meio. Não porque isso vá fazer alguma diferença na pronúncia, como ocorre nas línguas latinas e germânicas que nós conhecemos. É só uma regra estética, que se aplica a todas as letras e que precisa ser respeitada em todas as ocasiões. Por essas e outras particularidades, a caligrafia árabe tem até seu próprio artigo na Wikipedia, e é considerada uma das principais forma de expressão artística da cultura islâmica. Vendo o resultado, dá até vontade de aprender, não?

Pena que o árabe, hoje, é sinônimo de medo para seus 422 milhões de falantes – tachados de terroristas em aeroportos e vistos como uma massa de imigrantes incômodos nos países ocidentais. Com isso em mente, a designer egípcia Ghada Wali, que hoje trabalha em Florença, na Itália, criou o projeto Let’s Play. A ideia é ensinar o alfabeto árabe a usuários do alfabeto latino – como eu você – usando peças de LEGO para “montar” as letras, bem mais complicadas que as nossas.

“A escrita árabe é mais caligráfica, e a conexão entre as letras é importante para a articulação de uma determinada palavra”, explicou Wali por e-mail. “O Let’s Play faz uma simplificação geométrica disso.”

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Todas as letras, em todas as posições. Ghada Wali/Reprodução

As quatro variações possíveis da cada letra são apresentadas em fichas que usam um código de cores. Cada uma é acompanhada de uma palavra de exemplo, traduzida para o inglês. O material, na prática, teria tanto uma versão impressa (um livro pocket) quanto um aplicativo de celular.

Wali espera que inocência dos blocos coloridos ajude a mudar a visão que o mundo ocidental tem da cultura árabe – responsável, entre outras coisas, pela fundação da matemática que usamos hoje. “Quero que o mundo pare de nos ver como terroristas malvados e passe a nos ver como seres humanos, como iguais. Com um só conjunto de blocos de montar é possível fazer duas línguas – o LEGO é só uma metáfora, porque nós também somos feitos das mesmas unidades básicas.”

As fichas de cada letra. Ghada Wali/Reprodução

 

 

 

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