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Você já fez compras no Ali Express? Parabéns: você patrocinou o novo Star Trek

Por Matheus Bianezzi Atualizado em 4 jul 2018, 20h35 - Publicado em 1 set 2016, 13h20

Por Marcel Nadale
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Tem um passageiro novo na Enterprise em Star Trek: Sem Fronteiras, que estreia nesta quinta-feira (1). E não estamos nos referindo à alienígena Jaylah, interpretada pela argelina Sofia Boutella. Olhos atentos notarão, nos créditos iniciais do filme, uma nova produtora: a Alibaba Pictures.

Reconheceu o nome? A empresa é mais uma do conglomerado chinês Alibaba Group, cuja marca mais conhecida é o site de compras AliExpress (você certamente já encomendou muamba por lá – ou conhece alguém que encomendou…). Assim como a Ali Express já se tornou uma das maiores potências do e-commerce mundial (em certo momento, chegou a valer mais que o megaconglomerado Wal Mart), tudo indica que a Alibaba Pictures está vindo com tudo, pronta para mudar o jogo em Hollywood. E é bem possível que consigam.

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A companhia surgiu quando o Alibaba Group aceitou comprar parte da produtora ChinaVision Media Group, em março de 2014, por US4 804 milhões. E os caras chegaram com sangue nos olhos. Star Trek: Sem Fronteiras nem foi o primeiro – teve Missão Impossível: Nação Secreta em 2015, e Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, também este ano. Perceba o padrão: os caras só se interessam por blockbusters, mesmo que seja para pegar “o bonde andando” em franquias já avançadas.

Um dos próximos projetos é rebootar a trilogia Uma Noite no Museu, originalmente estrelada por Ben Stiller. Vai ser o primeiro grande filme gerenciado independentemente e distribuído pela Alibaba Pictures (sua principal parceira, atualmente, é a Paramount). Mas a empresa também planeja dar chance para diretores “autorais”: há acordos com os diretores Wong Kar Wai e Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso).

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uma noite no museu

Os parceiros do estúdio terão algumas ferramentas extras, “emprestadas” das empresas-irmãs dentro do Alibaba Group. Segundo o site Deadline, há conversas avançadas para utilizar, por exemplo, dados recolhidos dos usuários de sites como o AliExpress para propor temáticas ou gêneros, por exemplo. Analistas também preveem quase como certo que o grupo criará seu próprio sistema de distribuição via streaming – ou seja, sua versão do Netflix.

Além disso, eles têm um belíssimo trunfo: são uma empresa chinesa. A China hoje é o segundo mercado mais importante para a indústria cinematográfica, e, de acordo com o Financial Times, deve ultrapassar os EUA até o final de 2017. Filmes que fracassaram com os fãs norte-americanos, como Warcraft (2016), se salvaram do preju graças ao público chinês. Mas eis o porém: o rígido governo da China permite que apenas alguns poucos títulos do “imperialismo ianque” seja exibido anualmente por lá, garantindo uma reserva de mercado para produções locais. Na hora de escolher quais filmes gringos terão passe livre, a participação de uma empresa nacional, como a Alibaba Pictures, pode fazer a diferença.

Warcraft

Por essas e outras, é bom ir se preparando. Star Trek já anunciou um quarto filme e, embora a novidade mais hypada seja a presença de Chris Hemsworth (que atuou brevemente no primeiro filme, como pai do Capitão Kirk), nós apostamos que, se depender da Alibaba Pictures, talvez quem ganhe mais espaço seja Sulu…

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