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1995 – O ano que virou a ciência de ponta-cabeça

Flávio Dieguez e Heitor Amílcar

No ano passado muita coisa deixou de ser o que era por conta da pesquisa científica. Veja só: o maior predador de todos os tempos não é mais o tiranossauro, é o giganotossauro, descoberto na Argentina. Os estados da matéria também deixaram de ser quatro. O quinto, previsto por Einstein em 1924, existe mesmo e foi comprovado em laboratório. O espermatozóide, por incrível que pareça, já não é essencial para a reprodução. A espermátide, uma célula sexual imatura, faz o seu papel. E os olhos, que só a natureza sabia fazer, já podem ser construídos pelo homem. Um pesquisador suíço acionou um único gene no embrião de uma mosca e ela nasceu com nada menos que quatorze olhos. Tudo isso, e muito mais, você vai ver nesta reportagem de dez páginas que a SUPER preparou para você.

O porre da evolução

Durante 3,5 bilhões de anos os únicos habitantes da Terra eram micróbios feitos de uma única célula. Então, há 570 milhões de anos, bem no início do período Cambriano, houve uma explosão: de uma hora para outra apareceram milhares de bichos e plantas. Eram ancestrais das lagostas, camarões, vermes e insetos que, em última análise, deram origem a toda a diversidade biológica do planeta.

Os cientistas falam em explosão porque o aparecimento dessa fauna ocorreu em um tempo absurdamente pequeno: o “parto” pode ter demorado “apenas” 5 milhões de anos. Ou seja, 0,12% da história da Terra, até aquela época. Em 1994, a explosiva diversidade do Cambriano era uma suspeita forte. No ano passado, ela se transformou em certeza diante do grande número de fósseis encontrados em vários continentes. O mais recente e bem-preservado foi desenterrado na China, em novembro, e pertenceu a um antepassado da lagosta chamado yunnanozoon (foto).

Templo perdido de Herodes

Escavando as fundações de uma igreja do século VI em Cesarea, Israel, Kenneth Holum, da Universidade de Maryland, Estados Unidos achou um outro templo. Tudo indica que pertenceu ao rei Herodes da Palestina – o mesmo que, segundo a Bíblia, mandou matar centenas de crianças para tentar eliminar Jesus Cristo recém-nascido. O achado confirma o relato de um historiador da época, o judeu Flavius Josephus. As ruínas têm as medidas exatas descritas por Josephus: 30 metros de altura, 30 de largura e 54 de comprimento.

A bomba na meia idade

Em julho, a bomba atômica fez cinqüenta anos. A primeira arma nuclear da história foi testada às 5h29min45s, do dia 16 de julho de 1945, em Alamogordo, Novo México, Estados Unidos. Libertou energia equivalente a 18 toneladas de TNT e encheu de alegria cientistas e engenheiros que haviam trabalhado duro durante três anos para construir a bomba. Menos de um mês depois, quando uma explosão semelhante dizimou as cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão, a alegria deu lugar à vergonha.

Como desligar a cabeça

A primeira função dos genes é passar instruções para construir os organismos peça por peça a partir da concepção. Diversos genes decisivos nessa tarefa foram identificados em 1995. Um deles é o mestre-de-obras da cabeça, chamado Lim 1: se for desligado, o embrião nasce sem ela. A cabeça não é uma peça simples: mesmo assim, esse único gene controla toda a sua montagem. A prova, obtida em 125 ratos de laboratório, coube aos americanos William Shawlot e Richard Behringer, da Universidade do Texas.

O mecanismo do peso

Hormônios são proteínas cuja função é regular os complicados mecanismos do organismo – como o do aumento e redução do peso do corpo, de grande interesse para muita gente. Em outubro, o geneticista Jeffrey Friedman da Universidade Rockfeller, Estados Unidos, isolou o primeiro hormônio capaz de controlar o peso, chamado leptina. Ele é produzido por um gene que, quando funciona mal, o organismo ganha peso. A meta é transformar a substância em remédio para emagrecer. Este ano, Friedman avançou nesse objetivo, descobrindo duas substâncias que auxiliam a leptina em seu papel regulador.

Pégaso causa sensação

A idéia de que existem planetas em torno de outras estrelas além do Sol não é nova. Mas nenhuma pista deixou os astrônomos tão animados como as que foram detectadas na estrela 51 da Constelação do Pégaso. Em outubro, os astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra, notaram que a estrela se movia de um lado para outro. Deduziram que deveria haver um planeta do tamanho de Júpiter puxando-a de cá para lá enquanto girava à sua volta. Só se poderá ter certeza quando um telescópio registrar a imagem do novo mundo. Mas os cálculos já são muito convincentes, dizem os especialistas.

O espaço está em obras

Quando todo mundo imaginava que americanos e russos já tinham desistido, eles se uniram para retomar o plano de construir uma estação orbital, a Alpha, verdadeira cidade estacionada no espaço em torno da Terra. Sua base vai ser a estação russa Mir, que há dez anos presta serviços no céu. Em julho, o ônibus espacial Atlantis, americano, manobrou para se acoplar à Mir e lançou os alicerces da futura vila orbital. Na prática, a construção não tem prazo para terminar.

Nos planos da Nasa, o ideal está bem mais próximo: a Alpha ficará pronta nos próximos dois anos.

Fábrica de órgãos

Já imaginou? Você vai a um laboratório e encomenda um par de olhos novos. Um técnico seleciona um gene do estoque, coloca em um tubo de ensaio e o gene fabrica os órgãos pedidos. Perfeitos. Parece delírio, mas só por enquanto. No futuro isso poderá acontecer. O gene que fabrica os olhos foi identificado em março pelo biólogo suíço Walter Gehring, da Universidade de Basel. Acionado no embrião de uma mosca, o gene fez com que o inseto nascesse com quatorze olhos. Desde já, é um dos feitos mais importantes da década. A experiência de Gehring serviu apenas para comprovar o poder do gene: o cientista não sabe ainda controlar a sua ação, nem na mosca e muito menos em um ser humano. “Mas as pesquisas estão avançando muito rapidamente”, diz Gehring. “Se continuar assim, a máquina genética será inteiramente dissecada nos próximos anos”. Daí já vai dar para pensar na futura fábrica de órgãos, na qual os genes trabalham sob encomenda.

Os 52 filhos de Ramsés

Em um golpe de sorte, o arqueólogo Kent Weeks, da Universidade Americana, no Cairo, Egito, achou uma câmara nova, nunca antes explorada, dentro da grande tumba do faraó Ramsés II. Na câmara estão nada menos que 52 dos 100 filhos do soberano. “Ela vai nos ajudar a entender a estrutura da família real egípcia”, disse Weeks. A sorte foi o túmulo nunca ter sido saqueado, como ocorreu várias vezes com o resto do mausoléu desde a sua descoberta pelo inglês Howard Carter em 1922.

O empate das tartarugas

As tartarugas fósseis da América do Sul sempre foram bem mais recentes que as européias e asiáticas: tinham 150 milhões de anos e as outras, 210 milhões. Agora empatou. O argentino Guillermo Rougier, do Museu Americano de História Natural, encontrou em seu país esqueletos datados de 210 milhões de anos atrás. Mas as argentinas eram diferentes: tinham cascos que cobriam o pescoço e moravam em desertos. As européias e asiáticas eram aquáticas e protegiam o pescoço com pontudas espinhas.

Bactéria decifrada

Em julho, Craig Venter, presidente do Instituto de Pesquisa do Genoma, em Maryland, anunciou que tinha decifrado, de ponta a ponta, todos os genes da bactéria Haemophilus influenzae, responsável por infecções no ouvido e meningite. Foram identificadas 1,8 milhão de substâncias químicas. Chamadas de bases, elas são as “letras” com as quais se escrevem as instruções dos genes. A bactéria tem apenas apenas uma dúzia de genes. Nós temos três milhões.

O que foi feito no Brasil

Rocha quente sob os pés

A descoberta de um imenso jato de lava bem debaixo do Sudeste brasileiro foi uma das mais importantes da Geologia. Pode mudar as idéias vigentes sobre as placas tectônicas, que são massas rochosas frias e rígidas na superfície do planeta. De acordo com a teoria, as placas flutuam sobre o manto, uma espécie de “oceano” profundo de rochas extremamente quentes e fluidas. Foi do manto que subiu o jato de lava encontrado agora. Chamado de “pluma”, ele bateu na placa que sustenta o Brasil há 135 milhões de anos. E em vez de bater e voltar para o manto, ficou grudado nela como um rabicho (veja o infográfico). Isso é o que mostra a pesquisa: não há separação total entre o manto e as placas. Como disse um de seus autores, o geofísico Marcelo Assunção, da Universidade de São Paulo, “a divisão entre as duas camadas deixou de ser absoluta”.

Primeiro gene mapeado

Em setembro, uma equipe coordenada pela bióloga Maria Rita Passos Bueno, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, vasculhou cuidadosamente os cromossomos de uma família. Afinal, em um pedaço do cromossomo 21, achou o gene da síndrome de Knobloch, que causa miopia grave e cegueira. “Já estamos estudando outras doenças”, contou Maria Rita à SUPER.

Por dentro do átomo

O físico brasileiro Arthur Maciel fez parte da equipe do laboratório Fermilab, nos Estados Unidos, que confirmou a descoberta do quark top, uma das partículas fundamentais da matéria. Ele foi produzido a partir de energia pura, ou seja, luz, num superacelerador de partículas. Outro grupo do mesmo laboratório tinha constatado sinais desse quark em 1994. Em março passado, o brasileiro e sua equipe reuniram mais evidências de que a partícula era o top.

Buraco negro tupiniquim

No centro da galáxia NGC1097, a 40 milhões de anos-luz (1 ano-luz mede 9,5 trihões de quilômetros), existe um buraco negro, diz a astrônoma Thaísa Storchi-Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Analisando a luz de uma região da galáxia, ela encontrou gás girando a cerca de 10 000 quilômetros por segundo. Daí, deduziu que o gás estava sendo arrastados pela força gravitacional de um buraco negro.

Os dentes revelam o dono

Durante muito tempo, os cientistas coletaram pequenos ossos fossilizados sem saber a que bicho pertenciam. Enfim, perceberam que os ossos eram dentes de um bicho que se arrastou no mar há mais de 200 milhões de anos. O conodonte, nome do animal, foi reconstruído a partir dos poucos fragmentos conhecidos, com a ajuda de um computador. O autor da montagem: Mark Purnell, da Universidade de Leicester, Inglaterra. A imagem dá uma idéia de como deve ter sido um conodonte vivo (veja a ilustração).

Muito longe de casa

No início de dezembro uma sonda espacial lançada pela nave americana Galileu mergulhou na atmosfera de Júpiter, o maior planeta do sistema solar. Desde então, ele se tornou o mundo mais distante já visitado por um aparelho feito pelo homem. A pequena sonda se desligou da Galileu em julho e levou cinco meses para chegar a Júpiter. Daí para a frente, viajou sozinha durante 1 hora e 15 minutos, percorrendo quase 900 quilômetros na densa atmosfera (ela tem 11 000 quilômetros de espessura). Nesse trajeto, perdeu velocidade com grande rapidez: dos 170 000 quilômetros por hora que fazia no espaço vazio, chegou a pouco mais de 100 quilômetros por hora. A essa altura, já havia transmitido para a Galileu diversos dados importantes sobre os gases da atmosfera, como temperatura, densidade e composição química. Então, parou de trabalhar e foi esmagada pela pressão dos 900 quilômetros de gases que havia atravessado. A análise de seus dados ainda vai demorar alguns anos. Mas a pequena sonda já faz parte da história do homem no espaço.

Os lobos estão de volta

Caçados sem trégua, os lobos cinzentos canadenses sumiram há sessenta anos do Parque Nacional de Yellowstone, no norte dos Estados Unidos. Voltaram somente em março de 1995. Um grupo de quatorze animais criados em cativeiro foram soltos na mata por biólogos. Dizem os ecologistas que o predador é bom para a região: ao pegar presas fracas e incapazes, ele aprimora os seus bandos. A boa notícia é que os animais estão procriando sem problemas. Isso dificilmente acontece com bichos cativos devolvidos à vida selvagem.

Mistério em Vênus

Em 1978, um brilho forte na atmosfera de Vênus levantou uma suspeita. Parecia um vulcão ativo, sinal de que o planeta não está morto geologicamente. A suspeita cresceu porque a atmosfera continha muito enxofre, gás comum nas erupções vulcânicas. Em março de 1995, o telescópio Hubble mostrou que a quantidade de enxofre está diminuindo, como se o gás, depois de escapar de um vulcão, fosse aos poucos saindo da atmosfera. A questão não está fechada, mas Vênus parece cada vez mais vivo.

Quebra-quebra geológico

O esquema de divisão da superfície rochosa do planeta em grandes pedaços, chamados placas tectônicas, sofreu uma revisão importante. A Terra tem doze placas grandes e umas dez ou doze menores. Vai passar a ter treze placas grandes. A nova peça fica no Oceano Índico, diz o geofísico James Cochran, do Observatório de Lamont-Doherty Earth. Trata-se de um pedaço da placa indo-australiana, em avançado estágio de separação (veja a ilustração). O processo já dura 7 milhões de anos, calcula o cientista.

Proteínas contra o HIV

Cientistas e pacientes tiveram um bom motivo para ficar mais animados com relação à Aids. Em junho foi descoberto o HIV-2, um primo fraco do HIV-1. Os dois atacam o organismo, mas o HIV-2 atrapalha o primeiro. O corpo cria armas contra o primo fraco que podem ser então usadas contra o primo forte (o HIV-1). É como se o paciente fosse vacinado. Outra descoberta feliz, em outubro, foi a das quemocinas, proteínas que bloqueiam a ação do HIV-1, pelo menos no laboratório. Sabe-se que alguns pacientes são muito resistentes ao vírus: mas será por causa das quemocinas? É o que todo mundo quer descobrir. Há nove anos se desconfiava que os cidadãos mais duros na queda eram protegidos por algum tipo de proteína. Finalmente, o poder das quemocinas foi comprovado no tubo de ensaio por duas equipes, uma chefiada por Robert Gallo, da Universidade de Maryland, Estados Unidos, e a outra, por Reinhard Kurth, do Instituto Paul Ehrlich, em Langem, Alemanha.

O dublê de espermatozóide

Em junho nasceu na França o primeiro bebê cuja fecundação não havia sido feita por um espermatozóide, mas por uma espermátide, que é uma célula sexual masculina imatura. Ou seja, um espermatozóide jovem. O responsável foi o médico Jacques Testart, diretor do Laboratório de Fertilização e Maturação de Gametas, em Paris. A técnica causou polêmica, mas Testart alega que ela amplia as possibilidades da inseminação artificial.

Preguiça até debaixo d’água

O Thalassocnus natans foi, definitivamente, um estranho no ninho: era uma preguiça, mas não se arrastava pelos galhos das árvores como as atuais. Nadava no mar à cata de algas e outras plantas marinhas, há cerca de 5 milhões de anos. Pelo menos é o que pensa o paleontologista Greg McDonald do Museu Nacional de Hargeman Fossil Beds, em Idaho, Estados Unidos. Ele achou doze fósseis do talassocno na costa do Peru e diz que seu focinho lembrava o do peixe-boi. Era comprido e curvo, virado para baixo, bom para fuçar planta aquática, diz McDonald. O cientista coletou os fósseis do talassocno junto com ossos petrificados de peixes, leões-marinhos, golfinhos e baleias.

Os átomos imitam a luz

O fato mais importante do ano foi a demonstração experimental de que existe um quinto estado da matéria, além dos já conhecidos: gasoso, líquido, sólido e plasma (que é um gás eletrificado). Para entender o motivo, imagine um pouco de água. No estado gasoso cada molécula de água se move com total liberdade, podem ter qualquer direção e a diferença de velocidade entre elas é enorme. No estado líquido, as moléculas ficam mais comportadas, já não mudam tanto de direção e a diferença de velocidade é menor. No quinto estado, a organização das moléculas passa do limite. Todos os átomos têm a mesma direção e velocidade, como uma tropa marchando. Só a luz faz isso: num raio laser, os raios luminosos se alinham com perfeição, e é por isso que o laser tem grande potência. Em junho passado, os americanos Carl Wieman e Eric Cornell, da Universidade do Colorado, puseram em ordem 2 000 átomos de rubídio. Com isso, comprovaram o quinto estado da matéria, cuja existência havia sido prevista desde 1924 pelo alemão Albert Einstein.

Um ano depois do cometa

Em julho de 1994, o cometa Shoemaker deu um show nunca visto ao colidir com o planeta Júpiter (veja a imagem simulada do impacto e das ondas provocadas por ele. As ondas foram aumentadas para facilitar a visualização). A primeira análise dos dados, explicando o que aconteceu após a colisão, foi divulgada em julho por Paul Weissman do Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia. Em 7 segundos, a temperatura subiu de 150 graus negativos para 7 200 graus positivos. O choque empurrou os gases a 43 200 quilômetros por hora. Em 1 minuto, a atmosfera começou a se alterar. Uma mancha escura formada por novos compostos de carbono e enxofre levou 2 meses para começar a se desfazer. Dez meses depois, ainda havia resíduos dela no planeta.

A vez dos gigantes argentinos

Durante quase 100 anos, o Tiranossauro rex ostentou o título de maior carnívoro do planeta. Em dezembro, perdeu o posto para o Giganotossaurus carolinii, desenterrado na Argentina. O paleontólogo argentino Rodolfo Coria calculou que ele media 12 metros da cauda ao focinho, alguns centímetros a mais que seu antecessor. No peso, ganhava por 2 ou 3 toneladas, chegando aos 8 000 quilos. Com 100 milhões de anos, o novo rei não tem relação com o tiranossauro, que caçou no hemisfério norte, há 65 milhões de anos. O tamanho do novo réptil é importante porque desde 1991 se conhece um outro gigante – o argentinossauro, um herbívoro de 100 toneladas e 50 metros de comprimento, da mesma região e época que o predador. “Não deve ser coincidência”, disse Coria à SUPER. “Alguma coisa há 100 milhões de anos produziu bichos descomunais. Só ainda não sei o quê”.

Teoria em risco de extinção

Em novembro, os antropólogos acharam o primeiro ancestral humano que não morou nem no leste nem no sudeste africano. Seus ossos estavam no Chade, a 2 500 quilômetros do habitat de todos os outros hominídeos (intermediários entre o homem e os macacos). Era uma região de mata – e não de savana, onde o homem teria se desenvolvido. A teoria tradicional diz que uma seca demorada, há 5 milhões de anos, reduziu as florestas. Alguns hominídeos se adaptaram ao ambiente mais árido e afinal se transformaram no homem. “Acho que o novo fóssil vai derrubar a teoria”, disse à SUPER o especialista inglês Bernard Wood, da Universidade de Liverpool. Resumo: ou a teoria muda e se adapta, ou estará extinta.