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A brasileira que projeta prédios (e cidades) resistentes a terremotos

No #MulherCientista essa semana, conheça o trabalho da engenheira Andreia Álvares, que pensa em terremotos em um País onde eles são raridade.

Por Maria Clara Rossini - 25 set 2020, 10h39

Quem acompanha o Instagram da SUPER já conhece o #MulherCientista: a seção em que nós explicamos a vida e obra de mulheres lendárias (e esquecidas) do mundo acadêmico. Agora, em vez de contar a história de mulheres do passado, nossa repórter @m.clararossini vai entrevistar cientistas brasileiras do presente – e entender suas contribuições para um país em que a ciência anda tão negligenciada. Esses posts vão passar a aparecer também no nosso site. Até o próximo final de semana! 

O Brasil tem terremotos. Eles não são desastrosos como os que ganham as manchetes internacionais de tempos em tempos, mas são suficientes para danificar edifícios em algumas regiões. ⠀

Um dos abalos sísmicos nacionais mais memoráveis ocorreu no Rio Grande do Norte em 1986: os moradores de João Câmara tiveram suas casas derrubadas por tremor de magnitude 5.3. Mais recentemente, em 2020, a Bahia registrou o maior abalo sísmico na história do estado, de 4.2. ⠀

Esse histórico de tremores dificilmente recebe atenção. Os engenheiros não veem vantagem em construir prédios estruturados para aguentar os abalos – como acontece em países com terremotos maiores e mais frequentes, a exemplo do Chile ou Japão.⠀

Andreia Álvares busca maneiras de viabilizar essas estruturas. Atualmente, ela faz doutorado em engenharia sísmica na Suíça, onde pesquisa métodos e tecnologias para balancear o custo com a segurança dos edifícios. “Você pode fazer uma estrutura extremamente forte para aguentar o pior dos terremotos, mas o custo disso é altíssimo.”⠀


Uma opção barata é usar areia como isolador sísmico em casas mais simples. O material permite que a estrutura deslize durante um tremor, e reduz os danos. ⠀

Outra opção econômica é escolher, em um prédio mais complexo, o que pode ser feito mais frágil e o que não pode. As partes escolhidas para serem mais suscetíveis aos danos são aquelas que podem ser reparadas facilmente e que não comprometem a segurança estrutural do edifício.⠀

Essa lógica se aplica ao tecido urbano como um todo, e não só a construções individuais. Algumas construções idealmente precisam se manter funcionando após um terremoto, como pontes e viadutos, hospitais, prédios do corpo de bombeiros etc. Se não há recursos para tornar a cidade toda resistente, é necessário concentrá-los nas obras mais importantes para a atuação das equipes de resgate.

 

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