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A história por trás da maior trilha de fósseis de pegadas já encontrada

Com 1,5 km de extensão, marcas parecem pertencer a uma mulher - que caminhava com seu filho no colo no fim da última Era Glacial.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 14 out 2020, 16h31 - Publicado em 14 out 2020, 16h28

No Parque Nacional de White Sands, no estado do Novo México (EUA), há um lago seco, conhecido como “playa”. Analisando as marcas no solo ressecado, é possível notar uma porção de pegadas que foram deixadas ali durante o fim da última era glacial, há cerca de 11,5 mil anos.

Registros fósseis já são atrativos por contarem a história do nosso planeta, mas um vestígio que estava por ali chamou a atenção dos pesquisadores.

Pegadas humanas que seguiam uma trajetória retilínea ocupavam 1,5 quilômetro de extensão, apresentando um caminho de ida e de volta. É a maior trilha de fósseis de pegadas humanas já descoberta pela ciência.

Analisando as características dessas pegadas, pesquisadores conseguiram reunir diversas informações sobre quem passou por ali. Agora, essas descobertas viraram um artigo científico, publicado na revista Science Direct.

Pegadas no Parque Nacional de White Sands sugerem que uma mulher ou um adolescente percorreu mais de um quilômetro de distância com uma criança no colo. Matthew Robert Bennett / Bournemouth University/Reprodução

A primeira delas é que o viajante não estava sozinho. Em alguns pontos, apareciam também marcas de um pé pequenininho, que os cientistas imaginam pertencer a uma criança com menos de três anos. Pelo tamanho das pegadas principais, quem carregava o bebê era uma mulher, possivelmente a mãe, ou um adolescente.

A pessoa também parecia com pressa, pois andava a uma velocidade de 1,7 metros por segundo. A fins de comparação, uma velocidade de caminhada confortável fica em torno de 1,2 e 1,5 m/s em uma superfície plana e seca. Logo aí já temos outro obstáculo: o caminho, à época, era lamacento e escorregadio.

Além disso, a pessoa seguiu o caminho com a criança no colo apenas na ida. Examinando as pegadas, os cientistas perceberam que, na volta, não havia carga com o viajante. Tal detalhe pode ser estudado pela posição do pé, que fica mais curvado quando o corpo está sob pressão. 

Segundo o grupo que assina a descoberta, é provável que, por pouco, a viagem não tenha contado com alguns encontros inesperados. Um mamute e até uma preguiça gigante cruzaram com as pegadas, mas só o segundo animal percebeu que havia sinais de humanos por ali. A preguiça parece ter ficado sobre duas patas para sentir o cheiro dos humanos no ambiente, e depois bateu em retirada, com medo . O mamute passou reto, sem grandes preocupações. 

Mas o que aconteceu naquele dia? Como cientistas descrevem neste artigo para o site The Conversation, talvez a mãe estivesse correndo com seu filho no colo para fugir de uma tempestade que se aproximava. Ou então um jovem corria para devolver a criança a sua mãe, já que estava sozinho na volta. As marcas de pegadas infantis parecem ser o ponto mais fácil de presumir; quem quer que fosse o responsável estava precisando tirar o peso dos braços e aliviar a coluna. E o resto da história? Bem, isso é algo para a nossa imaginação. 

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