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Acredite: gatos são péssimos em caçar ratos

O estudo começou como uma coincidência – e acabou revelando que gatos são bastante incompetentes nos ataques (ao menos em Nova York).

Por Ingrid Luisa 28 set 2018, 19h07
Acredite: gatos são péssimos em caçar ratos Priorizar nos meus resultados Google

Gatos e ratos, sempre ouvimos dizer, são inimigos naturais. A regra sempre foi clara: os felinos são o pior pesadelo dos ratinhos. Essa ideia está tão marcada no senso comum que a gente até achava graça quando a cultura pop invertia essa lógica – no famoso desenho “Tom e Jerry”, o bobo gato Tom sofre por sempre ser enganado pelo inteligente e safo ratinho Jerry.

E não é que a vida quis imitar a arte? Segundo cientistas nova iorquinos, está comprovado: gatos são péssimos caçadores de ratos.

Pelo menos, foi o que mostraram os gatos estudados numa pesquisa recente. O principal autor, Michael Parsons, da Universidade Fordham, documentou os resultados no periódico “Fronteiras da Ecologia e da Evolução“.

Parsons queria, a princípio, estudar somente ratos. Mas não os fofinhos, branquinhos de laboratório, e sim aqueles em abundância nas ruas de Nova York. São as famosas (e horrorosas) ratazanas – ou Rattus rattus, no nome científico.

Para isso, ele começou a monitorar animais que viviam em um centro de reciclagem de lixo no Brooklyn – um paraíso para os roedores.

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Parson e sua equipe pegaram cerca de 60 ratos. Pesaram, mediram e implantaram um microchip em cada um. Depois disso, eles liberaram os bichos de volta ao local de origem. No canto do centro de reciclagem em que os ratos mais frequentavam, os pesquisadores instalaram câmeras e armadilhas tecnológicas que detectavam a presença deles.

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O objetivo de Parsons era conhecer bem o comportamento das ratazanas, que são uma verdadeiras pragas em muitas regiões de Nova Iorque: espalham doenças, roem a infraestrutura e chegam até a invadir lojas de alimentos – uma devastação cumulativa que traz muitos dólares de prejuízo para os americanos.

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Nas palavras do pesquisador, para resolver o problema é preciso conhecer o inimigo. “E a única maneira de conhecer um rato é pegá-lo e soltá-lo, para que você possa observá-lo.”, completou em comunicado.

Mas, após alguns meses de investigação, ele descobriu que gatos selvagens haviam se infiltrado no local. No início, ele temeu pela pesquisa. Mas depois percebeu que era uma baita oportunidade.

Os pesquisadores, na verdade, não faziam ideia de como os ratos reagiriam. Até porque poucos se documentou a respeito das interações entre gatos selvagens e ratos selvagens – fora de laboratório, em seu ambiente natural. Eles decidiram ver no que ia dar.

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Com a mudança da pesquisa, novas metas: “A gente queria saber se o número de gatos presentes teria influência sobre a população de ratos e vice-versa”, explicou Parsons. “Queríamos também descobrir se a presença dos gatos teria algum efeito nos comportamentos mais comuns dos ratos ou em seus padrões de movimentação.”

Em 79 dias de experimento, as câmeras gravaram 306 vídeos de gatos. Adivinha quantas perseguições a la Tom e Jerry? Apenas 20.

E as mortes foram menos ainda: somente duas! Ou seja, a taxa de sucesso dos gatos não era das melhores.

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Não para por aí: na grande maioria do tempo, os gatos mostraram basicamente zero interesse nos ratos. Nem amigos, nem inimigos, gatos e ratos eram simplesmente indiferentes.

Parson tem uma teoria para esse resultado: talvez as ratazanas fossem muito grandes e estranhas para atiçarem os gatos. De acordo com o cientista, felinos preferem presas menores, como ratinhos (Mus domesticus) e aves pequenas, que normalmente pesam menos de 30 gramas. Os roedores monitorados pesavam, em média, 339 gramas (eca!). Um rato maior tem dentes e garras bem maiores, o que garante muito mais risco de machucar um gato.

As únicas duas mortes que os pesquisadores capturaram no vídeo ocorreram quando um gato conseguiu emboscar um rato encurralado. Mas isso não significa que os gatos eram ignorados pelos roedores: depois da entrada dos felinos, os vídeos mostraram ratos gastando menos tempo a céu aberto e mais tempo procurando abrigo. Ou seja, até poderiam encarar o inimigo, mas preferiam se esconder em segurança.

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