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Arqueólogos descobrem ferramenta que ajudou humanos a sobreviver à era do gelo

Os artefatos de osso foram encontradas no local de morte de um mamute, mas a origem dos itens surpreendeu os pesquisadores.

Por Eduardo Lima
6 dez 2024, 12h00

Trinta e dois pedaços de agulhas de ossos foram encontrados em um sítio arqueológico no estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Os artefatos misteriosos datam de 13 mil anos atrás, e podem ajudar a entender como os humanos sobreviveram à última era do gelo, que acabou há cerca de 11,5 mil anos.

Esses pedaços de agulhas, feitos de ossos de animais, foram encontrados no mesmo lugar onde um mamute foi morto e despedaçado para servir de comida, no sítio arqueológico La Prele, no condado de Converse. A suposição óbvia seria de que essas ferramentas foram feitas com ossos de mamute. Mas não foi isso que os arqueólogos descobriram.

Os cientistas analisaram as informações proteicas no colágeno dos ossos que foram usados para fazer as agulhas. As hipóteses de origem envolvendo bisões e mamutes – os animais mais encontrados no sítio arqueológico – logo foram descartadas. As ferramentas foram criadas com ossos de animais muito menores, como raposas-vermelhas, linces, onças-pardas, linces-pardos, o extinto guepardo-americano, lebres e coelhos.

O estudo que descreve as ferramentas foi publicado no periódico científico PLOS ONE e liderado por arqueólogos da Universidade Estadual de Wyoming.

Roupas adaptadas ao corpo

A equipe analisou a composição química do colágeno dos artefatos, com foco nos peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos, que, por sua vez, são os bloquinhos que forma proteínas), e depois comparou esses dados com as informações sobre os peptídeos de animais que já viveram na América do Norte. Com isso, conseguiu identificar a origem dos ossos.

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O sítio arqueológico de La Prele, descoberto em 1986, provavelmente foi local de acampamento para um grupo de pessoas enquanto fatiavam a carcaça do jovem mamute que mataram. Os arqueólogos encontraram a concentração de ferramentas ali depois de diversas escavações pequenas, feitas como testes, até encontrar uma área grande e interessante para escavar.

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Fotos dos arqueólogos escavando parte do sítio arqueológico de La Prele em 2016. Encontraram agulhas feitas de ossos de raposa vermelha e gato selvagem.
(Danny Walker/Divulgação)
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Eles só encontraram as agulhas quando usaram uma peneira para separar os sedimentos escavados. É raro ter esse nível de precisão e detalhe numa escavação arqueológica, então é possível que várias dessas ferramentas tenham passado despercebidas em outros pontos.

A região do Wyoming era de 5 °C a 7 °C mais fria do que é hoje. Para sobreviver às temperaturas geladas, os humanos provavelmente confeccionavam roupas adaptadas ao corpo de cada um, bem costuradas para proteger do frio. Sem elas, seria impossível viver na América do Norte. As roupas se decompuseram faz tempo debaixo da terra, mas ainda temos uma coisa para entender os hábitos desses humanos pré-históricos: as agulhas que eles usavam para costurar.

É provável que os mesmos animais usados para produzir as agulhas – carnívoros menores como raposas e linces – tenham sido caçados e mortos para ter sua pele usada na produção de roupas. A pele desses animais pequenos provavelmente era usada nas mangas e nos colarinhos, para fazer franjas de pelo. Como linha para costurar tudo isso, eles provavelmente usavam os tendões de mamíferos grandes.

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Antes da invenção das agulhas, as roupas dos humanos precisavam ser mais largas e menos eficientes na proteção contra o frio. Não é uma evolução puramente prática, mas também estética: agora, com agulhas, as roupas poderiam ser customizadas e decoradas. A conta de adorno mais antiga das Américas foi encontrada no mesmo sítio arqueológico. A primeira fashion week das Américas também deve ter acontecido por lá.

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