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As sete irmãs e o touro branco

Conta a lenda grega que um dia o grande deus Júpiter (ou Zeus, para os gregos) disfarçou-se num touro branco para raptar as sete filhas do gigante Atlas: Alcione, Astérope, Electra, Quelaine, Maia, Merope e Taigeta. As sete irmãs se aproximaram para acariciar o lindo animal e caíram nas garras do ardiloso deus. Hoje em dia, Júpiter não teria muita chance com essa jogada, pois não está mais na moda as moças acariciarem touros. Mas as sete irmãs continuam brilhando no céu: são as Plêiades, um agrupamento de estrelas visível no início da noite, a partir de novembro, na na região do pescoço da constelação de Touro. Plêiades para os europeus, Setestrelo no sertão brasileiro, Ceiuci para os índios do Tocantins e Subaru para os japoneses, elas são conhecidas por praticamente todas as culturas, desde a Antiguidade. Para os povos da Mesopotâmia, o surgimento desse grupo no céu, logo antes do nascer do Sol, significava a chegada da primavera. Uma noite, o grande astrônomo italiano Galileu (1564-1642) apontou para lá sua primeira tosca luneta e, em vez de sete, enxergou dezenas de estrelas.
Galileu atirou a descoberta na cara dos filósofos que diziam que as estrelas brilhavam para guiar os homens. Se era assim, para quê, então, serviriam estrelas invisíveis a olho nu? Nascia um fundamento da Física moderna — o mundo material não tem nenhuma finalidade, muito menos a de prestar serviços à humanidade. Hoje, sabe-se que as Plêiades reúnem muito mais estrelas do que Galileu pôde distinguir. Trata-se de um aglomerado jovem, de cerca de 100 milhões de anos, com mais de 250 estrelas. A ninhada está se dispersando. Em menos de 1 bilhão de anos deve desaparecer.