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Astrônomo amador propõe fonte para o “Sinal Wow!”, registrado em 1977

Esse forte pulso de rádio levantou suspeitas sobre a existência de vida inteligente fora da Terra. A dúvida sobre sua origem permanece até hoje.

Por Maria Clara Rossini 26 nov 2020, 19h08

No dia 15 de agosto de 1977, o radiotelescópio Big Ear, no estado americano de Ohio, registrou um sinal forte, que durou 72 segundos, vindo do espaço – mais precisamente, da direção da constelação de Sagitário. O sinal só foi percebido no dia seguinte, quando o astrônomo Jerry Ehman estava revisando os dados no computador. O acontecimento foi tão único que ele escreveu “Wow!” na folha impressa com o registro. Quando voltaram a apontar o telescópio para o local, não havia mais sinal da anomalia.

O sinal logo ficou conhecido como wow! signal e muitos astrônomos acreditavam que ele teria sido enviado por seres inteligentes – o que comprovaria a existência não só de vida, mas de uma civilização fora da Terra. O observatório que o detectou faz parte do Instituto SETI, projeto destinado justamente a procurar sinais desses seres pelo espaço. Astrônomos criam hipóteses há mais de 40 anos para explicar o sinal, mas ainda não há uma resposta definitiva para o mistério. 

Nesta semana, foi a vez do astrônomo amador Alberto Caballero apresentar seu palpite. Ele partiu da hipótese de que o sinal tenha partido de vida inteligente. Para isso, essa civilização provavelmente vive em um planeta semelhante à Terra – que orbita uma estrela parecida com o Sol. (Não que seja impossível haver vida extraterrestre em planetas e estrelas diferentes dos nossos, é bom deixar claro. É só que locais semelhantes são promissores por razões óbvias.)

Caballero procurou por essas estrelas na região do céu de onde veio o sinal e listou possíveis candidatas a abrigar exoplanetas. A busca foi feita por meio do banco de dados Gaia, da Agência Espacial Europeia, que já mapeou 1,3 bilhões de estrelas. A que se saiu melhor foi a 2MASS 19281982-2640123, que está no local ideal e possui temperatura, luminosidade e tamanho semelhantes ao Sol. O objetivo do artigo é apresentar uma hipótese aos astrônomos de observatórios que tenham equipamentos para detectar se existem exoplanetas orbitando a estrela.

  • Outras hipóteses já foram apresentadas. Inicialmente, os cientistas pensaram que o sinal poderia ter vindo de uma fonte terrestre, rebatida por um satélite. No entanto, o telescópio não apontava para nenhum objeto que pudesse validar essa possibilidade. Em 2016, um pesquisador da Universidade de São Petersburgo – que, apesar do nome, fica na Flórida – sugeriu que o sinal possa ter vindo de um cometa com a cauda repleta de hidrogênio. Alguns críticos, porém, afirmaram que quantidade de hidrogênio precisaria ser muito mais alta do que a registrada em qualquer observação já realizada. 

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    Somos bombardeados por ondas eletromagnéticas vindas do espaço o tempo todo, e nada disso é evidência de vida alienígena. O diferencial do wow! em 1977 foi a intensidade, que alcançou 30 vezes a média em certos momentos.

     

    Os números e letras que você vê na foto representam a intensidade do sinal. Os números de 0 a 9 são usados para indicar intensidades mais baixas. A partir disso, letras de A a Z passam a ser usadas em ordem alfabética para intensidades altas. A sequência 6EQUJ5 foi circulada justamente por apresentar um grande desvio em comparação aos números “uns” e “dois” que mais apareciam no papel.

    Além disso, o sinal foi recebido em uma frequência de rádio muito específica: 1.420 MHz. Acredita-se que essa seria a frequência utilizada por outras civilizações para entrar em contato com vida inteligente: ela é a frequência do hidrogênio, o elemento mais abundante no universo. Se qualquer civilização estiver estudando o espaço, certamente precisará ficar de olho nessa frequência, o que faz dela uma boa candidata para um possível contato alienígena.

    O grande problema dessa hipótese é que o sinal nessa frequência, intensidade e direção nunca mais se repetiu. Na ciência, é importante que o fenômeno seja comprovado por outros pesquisadores antes de pular para qualquer conclusão precipitada. Parafraseando Carl Sagan: “alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. A evidência extraordinária ainda não veio.

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