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Astrônomos registram nascimento de planeta em outro sistema estelar

O bebê está localizado a 520 anos-luz da Terra, em torno de uma estrela da constelação de Auriga – veja o vídeo.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 22 Maio 2020, 19h04 - Publicado em 22 Maio 2020, 16h24

O Sol não é a única estrela com planetas em seu entorno. Os astrônomos chamam planetas que giram em torno de outras estrelas de exoplanetas. E, pela primeira vez, eles captaram imagens do nascimento de um exoplaneta. Ou melhor: o que aparenta ser o nascimento de um. As imagens conseguidas até agora não são nítidas o suficiente para afirmar sem sombra de dúvida o que está acontecendo. O fenômeno foi verificado na órbita de uma estrela chamada AB Aurigae, localizada a cerca de 520 anos-luz da Terra, que faz parte da constelação de Auriga. 

A equipe de Anthony Boccaletti, da Universidade PSL, na França, estava usando o Very Large Telescope (em português, Telescópio Muito Grande) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no deserto do Atacama, para estudar a estrela. Foi quando eles perceberam que tinha algo diferente ali: ao redor do astro, havia um disco denso de poeira e gás e, mais próximo do centro, onde estava a estrela, havia um “torção” no disco – o possível local de origem de um novo planeta. Confira o vídeo:

Você deve estar se perguntando o que são essa poeira e esse gás, e o que significa essa torção. Vamos por partes. Antes de falar do nascimento de planetas, é preciso falar do nascimento de estrelas. 

As estrelas se formam a partir de uma nuvem de gás e poeira que é compactada pela própria gravidade até virar uma bola. Essa nuvem é composta principalmente de hidrogênio, com elementos mais pesados da tabela periódica figurando em menor quantidade. A maior parte da nuvem acaba sendo incorporada à estrela, mas restam algumas rebarbas em volta – que, sob influência da gravidade, formam um disco, chamado disco protoplanetário. É como se a estrela recém-nascida fosse Saturno, e o gás e poeira que sobram em volta dela fossem os anéis de Saturno.

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A estrela fica com uns 98% ou 99% da massa total da nuvem – quando dizemos que os disco remascentente é feito de “restos” ou “rebarbas”, não é figura de linguagem. Sobra muito pouco. Mas esse “pouco” só é pouco para os padrões cósmicos. No Sistema Solar, o disco protoplanetário foi suficiente para formar Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e até o gigante Júpiter. O que você na foto e no vídeo acima é o disco protoplanetário da estrela AB Aurigae. É a partir desse disco que vão se formar seus planetas. Ou melhor – que já estão se formando.

Na foto a seguir, você pode ver o suposto nascimento com mais detalhes. O ponto negro no centro é a estrela AB Aurigae – seu brilho foi ocultado para não ofuscar a observação – e o brilho amarelo intenso mais abaixo é a torção, onde o futuro exoplaneta está se formando. A torção é o encontro de duas espirais de gás e poeira – cada uma roda em um sentido, e elas convergem para fornecer matéria-prima à construção do jovem astro. 

Não se engane pela proximidade aparente: a distância entre a estela no centro e a torção lá embaixo é, aproximadamente, a mesma distância que existe entre Netuno e o Sol (4,5 bilhões de quilômetros). 

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No centro da imagem, vemos a estrela AB Aurigae. A torção está logo abaixo, marcada pelo amarelo brilhante. ESO/Boccaletti et al./Divulgação

Não há imagens do planeta bebê em si – ele é muito pequeno em relação à nuvem em que está mergulhado –, mas os pesquisadores pretendem continuar examinando o sistema para chegar a novas descobertas, como sua massa e o traçado de sua órbita. Para isso, precisam de um telescópio ainda maior – que, por sorte, já está em construção. É o Extremely Large Telescope (ou Telescópio Extremamente Grande), com diâmetro de 39 metros, também situado no Chile. Com ele, será possível observar com detalhes a formação de novos planetas. A inauguração do ELT está planejada para 2025. 

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