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Astrounautas finalmente descobrem local de vazamento de ar na ISS

O ar está escapando pelo módulo de serviços Zvezda, do lado russo da estação. A Nasa garante, porém, que isso não representa perigo para os tripulantes.

Por Bruno Carbinatto 1 out 2020, 16h27

É o fim de um mistério espacial de mais de um ano: astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) encontraram o local de origem de um vazamento de ar detectado há meses após uma busca meticulosa na madrugada da última terça-feira. Segundo a Nasa e a agência espacial russa Roscosmos, o ar está escapando de do módulo de serviços Zvezda, o principal componente da parte russa da ISS.

A descoberta foi feita quando os astronautas russos Anatoly Ivanishin e Ivan Vagner e o americano Chris Cassidy foram acordados propositalmente pela equipe de controle na Terra após ser detectado um aumento repentino no vazamento de ar, que motivou os controladores a encontrarem o culpado com urgência.

A ISS está viajando pela órbita da Terra, mas é um ambiente totalmente pressurizado. É normal que vaze um pouco de ar dela – e por isso há tanques cheios de nitrogênio e oxigênio prontos para reabastecer seus módulos e repressurizar a estação, caso necessário. Porém, em setembro de 2019, a saída de ar da estação passou a ser acima do normal, indicando um vazamento – mesmo que pequeno e sem perigos iminentes. 

Nos últimos meses, o vazamento foi aumentando, mas também de forma não tão preocupante. Foi só na noite desta segunda-feira que um aumento considerado expressivo pareceu ocorrer, o que motivou a equipe de controle na Terra a acordar os astronautas. Mais tarde, porém, foi anunciado que não houve de fato um aumento do vazamento, como se acreditava, e sim uma mudança temporária na temperatura dentro da estação que foi entendida erroneamente como um aumento da despressurização – o ritmo de saída do ar permanecia o mesmo de antes.

  • Pelo menos os astronautas não acordaram à toa: foi graças a esse alerta que eles finalmente encontraram o local exato do vazamento. Nas buscas anteriores, os dados já haviam mostrado que a fonte estava provavelmente no lado russo da Estação Espacial, então os tripulantes se fecharam nesse local e começaram a coletar dados de cada módulo com um aparelho de ultrassom, fechando as escotilhas entre eles para se assegurar que estavam sempre isolados. Com isso, descobriram que o vazamento está no Zvezda, o principal módulo de serviços russo, que abriga até dois astronautas durantes as missões. 

    O ponto exato do vazamento, porém, ainda não foi encontrado. A Nasa anunciou que ele está provavelmente no “compartimento de trabalho”, a região onde a tripulação habita e trabalha no dia a dia, o que é positivo porque essa área é mais acessível para buscas. Mesmo assim, não é uma tarefa fácil. Em 2018, quando um outro vazamento de ar foi detectado, o culpado era um buraco de apenas 2 milímetros na parte externa de um módulo russo.

    A descoberta ocorre em uma época especialmente movimentada na ISS: no próximo dia 14, a astronauta americana Kate Rubins e os cosmonautas Sergey Ryzhikov e Sergey Kud-Sverchkov iniciarão sua jornada até a estação. E, no final deste mês, a missão Crew-1, da Nasa em parceria com a SpaceX, levará mais quatro tripulantes ao local. Logo depois disso, espera-se que os três ocupantes atuais retornem à Terra. Quem será o responsável pela missão de achar o tal buraco nesse vai-e-vem ainda é um mistério, mas a Nasa diz que não será um problema: “O vazamento, que foi investigado por várias semanas, não representa nenhum perigo imediato para a tripulação com a taxa atual, e é apenas um ligeiro desvio na programação da tripulação”, afirmou a agência em seu blog.

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