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Bactérias tornam-se suicidas para proteger suas colônias

Cientistas ingleses montaram um verdadeiro campo de batalha para flagrar esse comportamento em uma linhagem de E.coli. Entenda.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 10 mar 2020, 18h30 - Publicado em 10 mar 2020, 18h23

Você se sacrificaria para salvar um parente? As bactérias sim.

Esses microrganismos revelaram ter um instinto altruísta quando suas colônias estão correndo risco. Foi o que pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, observaram de perto ao montar um verdadeiro campo de batalha de micróbios. O que assistiram foi uma estratégia de jogo tão boa quanto aquelas que costumamos montar em jogos de tower defense – como o Clash Royale

Os guerreiros que estrelaram o experimento, discutido neste estudo científico, pertenciam a uma linhagem da bactéria E. coli modificada pelos cientistas. Esse tipo de bactéria tem uma característica peculiar: se autodestrói na presença de toxinas liberadas por adversários. É como se elas fossem aqueles heróis que preferem o suicídio à morrer pelas mãos do inimigo.

Com tudo pronto, o grupo de bactérias foi colocado lado a lado de suas rivais. Elas eram também bactérias E. coli, mas de linhagem diferente – e não modificadas pelos cientistas.

Aí foi só assistir à batalha pelas lentes do microscópio. Só que em vez de tiros e bombas, as armas usadas eram toxinas expelidas pelas próprias bactérias. Quando ativavam o modo autodestruição, ficavam verdes. Uma vez destruídas, as bactérias adquiriam a coloração rosa.

  • Primeiro, os dois times montaram linhas de batalha. As E. coli não modificadas começaram atacando suas rivais, matando rapidamente a linha de frente da adversária. Mas aquelas que estavam logo atrás e foram menos atingidas se ligaram do perigo e começaram a se preparar para a autodestruição.

    Elas aproveitaram esse momento estratégico para acumular suas próprias toxinas. Isso mesmo: em vez de usá-las para destruir as rivais, juntavam munição. Assim, conseguiam funcionar como bactérias bombas. E, quando explodiam, jogavam toxinas ainda mais potentes nos adversários, possibilitando a sobrevivência de uma parte maior da colônia.

    Esse instinto altruísta das bactérias vai contra a regra, já que na natureza deve-se viver cada um por si para sustentar a evolução natural. Afinal, biologicamente falando, ninguém pode se reproduzir (e passar seu material genético à frente) por você.

    Por outro lado, essas bactérias vivem em colônias de clones idênticos. Então, “quando se matam, é como se eles estivessem ajudando seus próprios genes, porque eles dão a seus companheiros clones que têm os mesmos genes uma chance maior de sobreviver”, explicou a pesquisadora Elisa Granato a NewScientist. Uma história tão digna de filme quanto a trajetória de Leônidas e seus “300 de Esparta”.

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