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Cérebro em transe

Estudos apontam que, comparado a cérebros normais, o de psicopatas tem menor atividade nas estruturas ligadas às emoções e maior nas ligadas à razão

Por 25 fev 2011, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h50
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Texto Mariana Sgarioni

Numa chacina, corpos estendidos no chão com veias jugulares perfuradas jorrando sangue, olhos cortados e tripas para fora. Uma velhinha está sendo espancada, uma criança chora de fome e um político está mentindo desbragadamente. Se a esta altura você está quase vomitando e com os cabelos em pé, esse é um bom sinal. Seu cérebro ativou áreas que envolvem emoções complexas, como julgamentos morais, e isso fez com que você se sentisse mal ou tremendamente inconformado. Já essas áreas do cérebro do psicopata não reagem da mesma forma.

A morfologia do cérebro de um psicopata parece ser diferente se comparada a um cérebro normal ou ainda a um cérebro com outros transtornos. É o que descobriram os neurologistas brasileiros Jorge Moll e Ricardo de Oliveira-Souza, da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede Labs-D’Or, do Rio de Janeiro.

Num estudo com ressonância magnética de altíssima precisão, usaram 15 pessoas normais sem nenhum histórico de distúrbios neurológicos e 15 pessoas diagnosticadas como “psicopatas comunitários”. Não se tratava de assassinos ou pes­soas violentas, e sim as chamadas “ervas daninhas”, que corroem a sociedade e as relações.

Enquanto essas pessoas estavam dentro do aparelho de ressonância, eram submetidas a diversas imagens e sons, alternando entre cenas horripilantes e outas neutras. Nesses momentos, os cérebros naturalmente faziam mais ou menos julgamentos morais.

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Conclusão: as imagens mostraram que no cérebro psicopata há pouca atividade nas estruturas ligadas às emoções morais e às primárias (aquelas que compartilhamos com os animais, como o medo, por exemplo) e um aumento da atividade nos circuitos cognitivos. Ou seja: os psicopatas comunitários, assim como os violentos, parecem funcionar com muita razão e pouca emoção.

 

Anatomia do mal
Confira quais são e onde ocorrem as alterações morfológicas na cabeça dos psicopatas

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1. Lobos Frontais 1
Quando uma pessoa faz um julgamento moral, ativam-se as áreas pré-frontais, responsáveis pelos aspectos frios e racionais desse julgamento. Aqui, o cérebro do psicopata tem uma ativação maior do que o normal.

2. Lobos frontais 2
O córtex frontopolar e parte do pré-frontal também são ativados. São fundamentais para o senso das responsabilidades sociais, para a capacidade de concentração e de abstração, e para o planejamento futuro em relação às emoções e questões sociais. Eles determinam a capacidade de ter e antecipar o sentimento de culpa. Aqui, os psicopatas têm uma ativação baixa.

3. Lobos temporais anteriores
São importantes para decodificar sutilezas emocionais e semânticas em interações sociais. Trabalham em conjunto com os lobos frontais e com as áreas límbicas quando temos que fazer interpretações ou tomar decisões sociais. Têm baixa atividade nos psicopatas.

4. Sistema límbico
É o centro de nossas emoções. Aciona-se, por exemplo, quando sentimos ansiedade ao ver uma pessoa acidentada, ou medo de fazer algo errado, ou ainda compaixão ao olhar um idoso ou criança desamparada. Tem baixíssima ativação em psicopatas.

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