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Cometa gigante está vindo em direção ao Sistema Solar

O 2014 UN271, como foi chamado, tem entre 100 e 370 quilômetros de diâmetro – e deverá passar próximo da órbita de Saturno em 2031.

Por Carolina Fioratti 23 jun 2021, 16h48

Astrônomos identificaram um corpo celeste até então desconhecido vagando em direção ao nosso Sistema Solar. O objeto, que parece ser um cometa gigante, foi identificado por pesquisadores do Dark Energy Survey (DES) – projeto que utiliza o Telescópio Victor M. Blanco, localizado no Chile, para mapear galáxias, detectar supernovas e também estudar a energia escura presente no espaço. 

O 2014 UN271, como foi batizado, teve seu tamanho estimado pelos cientistas entre 100 e 370 quilômetros de diâmetro. Mas não é apenas sua extensão que impressiona: o corpo parece demorar mais de 612 mil anos para completar sua órbita, a trajetória que percorre ao redor do Sol. Ele passa a 1,6 bilhão de quilômetros do Sol (próximo do ponto em que está Saturno) e depois parte em um caminho com mais de 2 trilhões de quilômetros de distância espaço afora. Veja a imagem:

Órbita do megacometa 2014 UN271 comparado com a órbita de Netuno.
NASA/JPL-Caltech/Divulgação

Neste momento, o corpo está a cerca de 3 bilhões de quilômetros de distância do Sol, pouco a frente do planeta Netuno (4,5 bilhões de quilômetros). Ele alcançará seu ponto mais próximo do estrelão em 2031, quando estará perto da órbita de Saturno. Nesse momento, os cientistas poderão estudar o objeto de forma mais aprofundada. Pedro Bernadinelli, um dos cientistas envolvidos no estudo, publicou a imagem do cometa em seu Twitter. Por enquanto, tudo que podemos ver é um ponto brilhante em baixíssima resolução:  

Apesar de parecer simples, conseguir a foto não foi tão fácil assim. Os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, passaram seis anos estudando dados do DES até encontrarem o 2014 UN271. Eles estavam explorando os objetos transnetunianos, aqueles em que a órbita ao redor do Sol se encontra entre a estrela e Netuno – o último planeta do Sistema Solar. Os cientistas encontraram cerca de 800 objetos, tendo o 2014 UN271 chamado mais atenção devido ao seu tamanho e proximidade.

  • Não é possível cravar a composição do meteoro, mas os cientistas acreditam que seja similar ao que é visto em outros objetos transnetunianos: uma mistura de gelo, rocha e outros compostos congelados, como dióxido de carbono, metano, nitrogênio etc. Também não há informações suficientes para afirmar se o corpo é redondo, esférico ou irregular, mas a última opção parece a mais provável, já que ele é muito pequeno para o formato circular e tem uma gravidade fraca demais para achatá-lo.

    Algumas respostas devem surgir com a investigação aprofundada na próxima década, mas há quem sugira o adiantamento do processo. Mark McCaughrean, consultor sênior da Agência Espacial Europeia, disse à New Scientist que uma missão para explorar o 2014 UN271 seria algo possível de ser feito. Para não perder a passagem do corpo celeste, uma espaçonave designada a fazer registros do cometa teria que ser lançada dentro dos próximos sete anos. Basta esperar para ver se o projeto sairá do papel. 

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