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Empresa cria carne geneticamente modificada

Método promete baratear a produção em laboratório desse alimento. Entenda por que.

Por Maria Clara Rossini e Bruno Garattoni
Atualizado em 20 jul 2023, 14h11 - Publicado em 20 jul 2023, 14h10

O cultivo de “carne de laboratório” existe desde 2013. Cientistas coletam células de boi ou de frango e as multiplicam em biorreatores (grandes tanques cheios de aminoácidos e nutrientes) para gerar pedaços de carne – sem precisar matar nenhum animal.

Mas esse processo é ineficiente, usa reagentes específicos, e por isso é caro: mesmo após uma década de aperfeiçoamentos, a carne sintética ainda custa 10 vezes mais do que a natural (e isso na melhor das hipóteses, supondo uma produção em grande escala(1); nas quantidades fabricadas hoje, o custo é ainda mais alto). Ela é comercialmente inviável.

Mas a companhia americana SciFi Foods diz ter a solução: ela modificou o DNA da carne bovina com a técnica CRISPR (que usa enzimas de bactéria para cortar e alterar sequências genéticas de forma precisa, e tem sido bastante explorada em pesquisas da indústria farmacêutica). A Super conversou com a bióloga Kasia Gora, co-fundadora e diretora técnica da empresa.

Qual é a diferença da carne editada geneticamente?

Essa abordagem nos permite cultivar células em laboratório sem a necessidade de microtransportadores [materiais que funcionam como estruturas de suporte, permitindo a multiplicação das células nos biorreatores].

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Isso eliminou o uso de ingredientes caros, e reduziu nossos custos de produção em mil vezes. O maior desafio das carnes cultivadas é o custo. Achamos que será difícil baratear esse tipo de produto sem o uso da técnica CRISPR.

Por que usar o CRISPR e não outro método?

A técnica CRISPR nos permitiu fazer edições precisas e de pequena escala em células animais. Nós somos capazes de desenvolver centenas de linhagens celulares todos os meses. Existem outros métodos de edição genética, mas o CRISPR nos oferece precisão, rapidez e custo-benefício.

Não revelamos quais genes [do DNA bovino] nós alteramos. No entanto, podemos revelar que as modificações geralmente envolvem pequenos ajustes, para aumentar a eficiência do crescimento de células dentro do biorreator.

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A carne já está pronta para lançamento?

Não. No momento, Singapura é o único país que legalizou totalmente a venda de carne cultivada. Nos Estados Unidos, a FDA [agência reguladora americana] já deu essa permissão a duas empresas, e nós estamos buscando o mesmo.

Acreditamos que deverá haver mais algumas etapas regulatórias antes que o nosso produto seja introduzido no mercado, o que deve ocorrer no final do ano que vem.

Fonte 1. How much will large-scale production of cell-cultured meat cost? BW Brorsen e outros, 2022.

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