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Espécie de besouro é batizada em homenagem a Greta Thunberg

Inseto foi descoberto no Quênia há mais de 50 anos, mas só agora ganhou um nome científico.

O batismo de uma nova espécie nem sempre acontece assim que ela é descoberta na natureza. Pelo contrário: por vezes, a espera por um nome científico pode se estender por várias décadas. Você, leitor da SUPER, talvez se lembre da história da serpente que passou 202 anos sendo chamada pelo nome errado. Ou ainda, da trajetória do besouro Darwinilus sedarisi, descoberto por Charles Darwin na Argentina em 1832 – e esquecido por mais de 180 anos nas gavetas do Museu de História Natural de Londres até ser nomeado em 2014.

O mais novo besouro a homenagear uma pessoa pública também estava escondido na vasta coleção entomológica do Museu de História Natural de Londres. Descoberto no Quênia em 1965 pelo naturalista britânico William C. Block, o invertebrado anônimo foi doado ao museu ainda em 1978, junto a uma vasta coleção de insetos. E por lá permaneceu os próximos 40 anos entre outras milhares de amostras, sem jamais ganhar um nome e sobrenome em latim.

Foi só recentemente que pesquisadores que analisavam o catálogo de insetos do museu perceberam que a amostra era algo novo, jamais descrito pela ciência – e resolveram chamar o exemplar misterioso de Nelloptodes gretae.

 (MICHAEL DARBY/Divulgação)

O nome faz referência a ninguém menos que Greta Thunberg, estudante sueca de 16 anos que ganhou destaque por cobrar uma postura mais combativa de autoridades quanto ao avanço das mudanças climáticas. “Escolhi esse nome porque estou profundamente impressionado com o trabalho dessa jovem ativista, e queria reconhecer sua contribuição notável na conscientização sobre questões ambientais”, disse Dr Michael Darby, pesquisador do Museu de História Natural que assina a descoberta, em comunicado.

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Do alto de seu 0,79 milímetro de tamanho, o N. gretae não tem olhos nem asas. Segundo os autores do estudo, publicado na revista científica The Entomologist, a espécie pertence à família Ptiliidae, que reúne alguns dos menores besouros do mundo. Normalmente, ela é encontrada em solos úmidos e debaixo de folhas mortas, e se alimenta de hifas e esporos de fungos.

Recém-alçada a símbolo da luta global para assuntos do clima, Greta agora faz parte, também, do seleto grupo de personalidades que motivaram nomes científicos de animais. Nesta lista feita pela SUPER, você pode encontrar alguns casos do tipo – como a abelha Beyoncé, o crustáceo Freddie Mercury ou o besouro Schwarzenegger, por exemplo.