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Espécie de tubarão recém-descoberta mede apenas 14 cm – e brilha no escuro

Encontrado no Golfo do México, o pequeno Mollisquama mississippiensis foi apelidado de "tubarão de bolso" - e passou por uma longa saga para ser considerado uma nova espécie.

Tubarões, normalmente, são tidos como assustadores e perigosos o que é amplamente reforçado por filmes como “Sharknado” ou o próprio “Tubarão”. Mas uma espécie recém-identificada pode fazer você mudar de ideia: o chamado “tubarão de bolso americano” é pequenininho (só 14 centímetros) e até brilha no escuro além de parecer a personagem Pérola do desenho “Bob Esponja”.

O novo bicho foi batizado de Mollisquama mississippiensis. O espécime foi descoberto nas águas do Golfo do México, a 314 quilômetros ao sul do delta do rio Mississippi em 2010. Os detalhes da nova espécie estão descritos em um artigo de pesquisadores da Universidade de Tulane, EUA, publicado na revista Zootaxa.

A saga para esse bichinho ser considerado uma nova espécie foi longa. Na verdade, o espécime encontrado no Golfo do México foi o segundo “tubarão de bolso” a ser descoberto. O primeiro, que recebeu o nome de Mollisquama parini, foi identificado no Oceano Pacífico Oriental em 1979. Sua característica marcante são duas pequenas bolsas, uma de cada lado das brânquias, que produzem um fluido luminoso (que brilha no escuro). O nome “tubarão de bolso” refere-se tanto ao tamanho diminuto do animal quanto a essas “bolsinhas” que ele carrega. Hoje, esse primeiro espécime está guardado no Museu Zoológico de São Petersburgo, na Rússia.

Quando o segundo bichinho foi descoberto, em 2010, os pesquisadores levaram muito tempo até identificar sua espécie. Em um paper de 2015, os cientistas confirmaram que, sim, se tratava de um “tubarão de bolso” ele é pequeno e tem, assim como o primeiro encontrado, as bolsas com fluidos luminescentes.

 (J. Wicker, NOAA/NMFS/SEFSC/Miami Laboratory/Wikimedia Commons)

O estudo atual afirma que os dois tubarões pertencem ao mesmo gênero taxonômico, mas a espécies diferentes. Os cientistas descobriram que a espécie americana possui duas diferenças de dentes, 10 vértebras a menos e seis diferenças no formato do corpo quando comparado ao M. parini. Além disso, os pesquisadores descobriram que todo o corpo da nova espécie brilha no escuro (coisa que a espécie anterior não faz).

“A cor preta e seu brilho sugerem que a nova espécie viva na zona mesopelágica [inicio da faixa abissal do oceano], uma região sem luz entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Não sabemos muito sobre nenhum dos peixes que vivem nesta zona”, disse Henry Bart, um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um tubarãozinho com características tão únicas quanto esse enfatiza o quão pouco sabemos sobre o oceano profundo e as espécies que vivem nele.