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Cientistas desenvolvem técnica para saber se um tubarão-branco está perto

Eles identificaram rastros de DNA deixados pelo bicho. Estudos como esse poderão ajudar tanto na segurança das pessoas quanto na conservação da espécie

Por Rafael Battaglia 20 set 2018, 17h15

É mais provável ser morto por uma máquina de snacks do que por um tubarão. Sim. As estatísticas mostram que a chance de um acidente fatal ao comprar um podritos em uma dessas máquinas automáticas é de uma em 112 milhões. Já o risco de ser morto por um tubarão é de um em 250 milhões. Mesmo assim, desde 1975, após o lançamento de Tubarão, todo mundo passou a ir para a praia com um certo frio na barriga (valeu, Spielberg!)

Casos envolvendo os predadores sempre reacendem o receio. Foi o que aconteceu no último sábado (15). O brasileiro Arthur Medici morreu após um ataque de tubarão na baía de Cape CodMassachusetts, nos EUA. As praias da região foram fechadas logo após o acidente, o primeiro por lá em 80 anos.

Mas histórias como essa e tantas outras podem estar com os dias contados, se depender de um novo estudo publicado na semana passada no periódico Frontiers in Marine Science. Cientistas americanos desenvolveram uma técnica para descobrir se tubarões-brancos estão próximos ou não do litoral analisando o seu DNA ambiental.

Seguindo pistas

tenor/Reprodução

Quando nos locomovemos, cortamos o cabelo ou até mesmo assoamos o nariz, deixamos para trás rastros de DNA ambiental. Também chamado de eDNA, ele é basicamente qualquer vestígio genético deixando por um organismo quando ele se move em um ambiente. No caso do tubarões, eles deixam para trás restos de pele, muco e excrementos.

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O estudo foi liderado pelo Western Ecological Research Center, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que atuou em parceria com outras universidades do país. Os pesquisadores coletaram amostras de 250 ml da água em dois locais de Santa Bárbara (litoral da Califórnia) frequentados por tubarões-brancos.

Em laboratório, os cientistas desenvolveram um marcador que, em contato com a água coletada, acenou a presença de eDNA da espécie. Eles também analisaram águas de outros locais, onde não há presença de tubarões, e o marcador não detectou nada.

O rastreamento do DNA ambiental não é exclusividade de lá. Cientistas da PUC Minas usaram o eDNA em um método para identificar espécies de peixes em determinados ambientes aquáticos. A técnica não-invasiva desenvolvida por eles diminui o dano ambiental, além de ser mais precisa (e barata) que os processos de monitoramento que existem.

“Um dos objetivos desta pesquisa é que os salva-vidas possam caminhar até a praia, pegar um pouco de água, agitá-la e ver se os tubarões estão por perto”, disse Kevin Lafferty, coordenador do estudo norte-americano, em um comunicado. No futuro, técnicas utilizando marcadores mais modernos podem garantir a segurança das pessoas e a preservação das espécies marinhas.

 

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