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Esquilos também têm personalidades diferentes – e elas influenciam sua vida em grupo

Estudo feito nos EUA classificou os animais de acordo com quatro características: audácia, agressividade, nível de atividade e sociabilidade.

Por Luisa Costa 22 set 2021, 17h56

Alguns cientistas têm mostrado que diferentes personalidades não existem apenas entre humanos, mas também em outras espécies animais. Agora, uma pesquisa indicou que os comportamentos individuais são importantes também entre os esquilos.

O estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia é o primeiro a documentar a personalidade de esquilos da espécie Callospermophilus lateralis, comuns no oeste da América do Norte. A pesquisa foi publicada na revista Animal Behaviour e classificou a personalidade dos animais a partir de quatro características principais: ousadia (ou audácia), agressividade, nível de atividade e sociabilidade.

Identificar traços de personalidade entre os animais não é simples. Os pesquisadores precisam coletar muitos dados e mostrar que os indivíduos estudados apresentam o mesmo comportamento de maneira consistente ao longo do tempo. Os cientistas envolvidos neste estudo analisaram alguns esquilos ao longo de três anos, e também os submeteram a alguns testes. Também foi usado um amplo conjunto de dados de pesquisadores do Rocky Mountain Biological Laboratory, no Colorado, que estudam esquilos terrestres há mais de 30 anos.

Existem abordagens padronizadas para identificar e quantificar traços de personalidade dos animais. Neste estudo, os pesquisadores realizaram quatro testes. O primeiro teste consistia em colocar um esquilo em uma caixa fechada com linhas e alguns orifícios. Os pesquisadores observavam como cada bicho se comportava no ambiente novo, sua movimentação e investigação do espaço.

Um segundo teste acontecia na mesma caixa e, dessa vez, um espelho era inserido no espaço. Como os esquilos não reconhecem seus próprios reflexos, esse experimento permitia que os pesquisadores observassem como o esquilo reagiria a outro indivíduo de sua espécie. Alguns esquilos evitavam se aproximar do espelho, enquanto outros se aproximavam e pressionavam seus narizes contra o suposto colega – um comportamento geralmente observado entre mães e filhotes da espécie. Esse teste informava aos pesquisadores sobre a agressividade ou sociabilidade de cada esquilo.

O terceiro teste era feito na natureza e investigava a timidez dos esquilos. Pesquisadores se aproximavam devagar e silenciosamente aos indivíduos estudados para ver quanto tempo eles esperavam para fugir.

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O último teste consistia em observar o comportamento dos esquilos quando pegos em uma armadilha inofensiva. Os pesquisadores montaram pequenas gaiolas e atraíram os animais com sementes. Quando determinado esquilo ficava preso, um pesquisador monitorava o comportamento do animal por alguns minutos antes de libertá-lo, avaliando sua agressividade.

Os pesquisadores mapearam a personalidade das dezenas de esquilos estudados e perceberam que isso estava intimamente relacionado ao sucesso dos indivíduos no meio ambiente.

Segundo o estudo, esquilos mais ousados e ativos, por exemplo, movem-se mais rápido na natureza. Eles também tendem, junto aos esquilos mais agressivos, a concentrar sua atividade em áreas maiores do que esquilos mais tímidos. Isso é importante porque um espaço maior pode fornecer melhores locais para avistar e escapar de predadores.

O que mais surpreendeu os cientistas foi encontrar conexões entre esse tipo de acesso e a sociabilidade dos esquilos. Eles são considerados anti-sociais, por isso seria possível prever que um indivíduo monopolize um local estratégico, agindo territorialmente. 

Mas os pesquisadores acreditam que os esquilos com personalidade mais sociável possam perambular juntos pelo ambiente e compartilhar esses espaços. Essa seria uma vantagem para a capacidade de sobrevivência dos animais.

  • Os cientistas escrevem que os dados coletados apoiam a ideia de que o uso do espaço e dos recursos naturais dependem da personalidade dos indivíduos.

    E, segundo a autora principal, Jaclyn Aliperti, a pesquisa faz parte de um número crescente de trabalhos que mostram que os indivíduos são importantes. “Considerar a personalidade [dos animais] na gestão da vida selvagem pode ser especialmente importante ao prever as respostas da vida selvagem a novas condições, como mudanças ou destruição do habitat devido à atividade humana.”

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