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Este vídeo mostra como raízes de plantas competem por espaço

Pesquisadores espanhóis investigaram o crescimento subterrâneo de pimenteiras. E encontraram alguns padrões no processo.

Por Guilherme Eler 18 dez 2020, 20h13

“Plantas não assinam contratos nem tecem acordos, mas aprendem a dividir recursos e mediar os conflitos que surgem com a vida em sociedade”, diz a reportagem A vida secreta das plantas, publicada na Super em maio de 2018. Não é exagero. Mesmo sem um neurônio sequer, plantas são seres inegavelmente inteligentes. E têm que criar mecanismos sofisticados para coexistir com suas vizinhas, principalmente na hora de buscar por água e alimento.

Um novo estudo, feito por pesquisadores do Museu de Ciências Naturais de Madrid e publicado em dezembro na revista Science, investigou o principal desses mecanismos de boa vizinhança: o padrão de crescimento das raízes.

Embora escondido por muitas camadas de solo, ele está longe de ser arbitrário. Quando duas plantas estão bem próximas uma das outras, elas conseguem orientar suas ramificações por baixo da terra para evitar problemas com raízes de terceiros. Foi o que os cientistas mostraram.

  • Primeiro, o grupo criou um modelo matemático para estimar o padrão de crescimento e volume normal das raízes plantas, sem competição. Depois, usaram o mesmo algoritmo para tentar prever como o vegetal se comporta quando tem algum vizinho.

    A segunda parte do projeto foi colocar esse sistema de previsão à prova. O grupo plantou mudas de pimenta na estufa do museu para analisar como as raízes de fato se comportavam nos dois cenários. Algumas delas ficaram solitárias, e outras separadas de sua dupla por uma distância de 10 centímetros.

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    Para diferenciar os caminhos escolhidos por cada uma, os cientistas adicionaram tinta vermelha ao caule de uma das plantas e azul ao da outra. Assim, as raízes produzidas identificavam a qual planta pertenciam. O resultado você pode assistir no vídeo abaixo.

    O modelo criado pelos cientistas acertou em cheio. Quando reinava soberana, sem ninguém por perto para tomar um pedacinho de solo para si, a pimenteira gerava um grande número de raízes na base do caule – mas, ao mesmo tempo, estendia seu alcance subterrâneo em todas as direções, de forma simétrica.

    Porém, isso mudou quando havia uma outra planta morando ao lado. Nesse caso, em vez de expandir seus domínios, pimenteiras preferiam investir em novas raízes quase sempre na área mais próxima do seu próprio caule. Além disso, o número de filamentos de raízes ficava menor conforme elas se aproximavam de raízes vizinhas.

    Quanto mais próxima estava da sua dupla, mais raízes a pimenteira criava. E essas raízes também seguiam o mesmo padrão: cresciam mais próximas do caule da planta. Segundo os pesquisadores, essa é uma forma de evitar a sobreposição com a concorrência – diminuindo a disputa e, por tabela, garantindo mais recursos.

    “Mas para que cientistas gastaram tempo estudando isso?”, você, leitor, pode estar se perguntando. Saber o quão intrusas são as raízes de uma planta pode ajudar a ciência a criar variedades que já vem de fábrica prontas para se adaptar a grandes lavouras, por exemplo. Se uma vizinha já incomoda, imagina um canteiro cheio.

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