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Estudo indica que coronavírus estava circulando na França desde dezembro

Pesquisadores detectaram o vírus em amostras de paciente com pneumonia no dia 27 de dezembro

Por Maria Clara Rossini
6 Maio 2020, 17h11

O primeiro caso oficial de coronavírus na França surgiu no dia 24 de janeiro de 2020, mas um novo estudo pode revirar todo o histórico do país de cabeça para baixo. Médicos de um hospital ao norte de Paris detectaram o SARS-CoV-2 em amostras de um paciente internado com pneumonia no dia 27 de dezembro de 2019.

O resultado faz parte de um estudo publicado no International Journal of Microbial Agents, que analisou amostras de 14 pacientes com pneumonia entre dezembro e o meio de janeiro. Elas haviam sido congeladas e guardadas para futura análise. O vírus foi encontrado em um homem de 42 anos que, na época, deu entrada no hospital com febre, tosse e dificuldade para respirar. O teste foi feito duas vezes, para diminuir as chances de um falso-positivo.

Na época, os cientistas ainda não sabiam da existência do novo vírus. Alguns sintomas de pneumonia começavam a aparecer em alguns pacientes na China, mas o material genético do vírus ainda não havia sido sequenciado. O governo francês está analisando as evidências, que podem mudar a cronologia do vírus na Europa.

Os cientistas alertam que há uma diferença entre casos isolados e o desencadeamento da epidemia. Em entrevista ao New York Times, Samuel Alizon, do Centro Nacional de Pesquisas da França, diz que “é possível que casos isolados tenham iniciado uma pequena rede de transmissão que morreu logo”. Isso acontece quando o infectado transmite o vírus para apenas uma pessoa ou menos. Dessa forma, o vírus não tem como se reproduzir na população e acaba desaparecendo.

Ele diz que é comum que uma epidemia tenha “falsos começos” antes de se tornar uma onda. O paciente de 42 anos não havia viajado recentemente para o exterior, o que aponta que já havia transmissão local no país. 

Itália, Estados Unidos e China também registraram casos e circulação do vírus antes da doença ser oficialmente identificada no país. Nos EUA, médicos da Califórnia identificaram duas mortes de pessoas infectadas com o coronavírus no início de fevereiro, semanas antes da primeira morte registrada oficialmente.

Os autores do estudo se mostraram confiantes de que o caso de dezembro era de Covid-19, mas não descartam outras possibilidades, como contaminação do laboratório ou falso-positivo. 

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, disse que é possível que os primeiros casos já estivessem fora da China naquela data, e pediu aos países que testem amostras antigas de pacientes com pneumonia. “Isso dá um novo quadro para tudo. Essa descoberta ajuda a melhor entender a potencial circulação da Covid-19”, disse o porta-voz.

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