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Foguete abandonado da SpaceX pode atingir a Lua em março

Um foguete do tipo Falcon 9 foi lançado em fevereiro de 2015. Agora, pesquisadores preveem que ele irá atingir nosso satélite natural a 9.288 km/h

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 28 jan 2022, 16h56 - Publicado em 28 jan 2022, 14h45

A foto acima foi tirada no dia 15 de fevereiro de 2015 em Cabo Canaveral, na Flórida. Na época, nem todo mundo conhecia Elon Musk, mas sua empresa aeroespacial já funcionava a todo vapor. A SpaceX usou o foguete Falcon 9 para mandar um satélite de monitoramento climático a 1,5 milhões de quilômetros da Terra.

A missão foi bem sucedida. Após consumir todo o combustível, o foguete ficou vagando no espaço durante os últimos sete anos, como acontece com a boa parte dos satélites e tecnologias espaciais desativados. O problema é que o estágio superior do foguete está viajando a 9.288 km/h – e, segundo novos cálculos, deve atingir a Lua daqui um mês.

A estimativa foi feita por Bill Gray, um desenvolvedor de software que monitora objetos espaciais próximos à Terra. Em uma postagem no seu blog, ele menciona que o foguete se aproximou da Lua no dia 5 de janeiro, mas o impacto deve acontecer no dia 4 de março. “Esse é o primeiro caso não intencional de pedaços de foguete atingindo a Lua, pelo que eu saiba”, escreve.

É bom lembrar que os resultados não foram publicados em um periódico revisado por pares – ou seja, não passaram por um processo rigoroso de revisão por outros pesquisadores. Mesmo assim, alguns cientistas se manifestaram sobre o achado. 

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O astrofísico Jonathan McDowell, da Universidade de Harvard, fez um tweet confirmando a previsão de impacto, mas disse que o achado não era “grande coisa”. À BBC, McDowell diz que isso já pode ter acontecido outras vezes, e nós só não notamos. “Ao longo das décadas houve talvez 50 grandes objetos que nós perdemos de vista. Isso pode ter acontecido um monte de vezes”, diz ele. O astrofísico também diz que esse será o primeiro impacto registrado de um objeto que não pretendia ir parar na Lua.

O impacto não deve ser observado da Terra. A previsão é que o foguete caia no equador, no lado da Lua que permanece contrário a nós (erroneamente chamado de “lado escuro”, mas que recebe luz do Sol em alguns períodos). A trajetória ainda pode ser alterada por diferentes fatores, como a pressão exercida pela radiação da luz solar.

Estimar onde o foguete deve cair é importante para que os satélites ao redor da Lua (como o Lunar Reconnaissance Orbiter e a espaçonave Chandrayaan-2) possam tentar observar o impacto e as consequências na superfície lunar.

O impacto do foguete de quatro toneladas a uma velocidade de 9 mil quilômetros por hora deve formar uma cratera artificial na Lua. Mas não há motivo para preocupação. Outros objetos próximos já colidiram com o satélite natural. O satélite LCROSS, da NASA, colidiu intencionalmente com a Lua em 2009, revelando a presença de água na forma de gelo em seu subsolo. As agências espaciais irão monitorar a “poeira” que o Falcon 9 deve levantar.

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