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Formigas paramédicas limpam ferimentos e aplicam antibiótico nas colegas

Formigas amputadas em ataques a cupins são carregadas para casa por suas companheiras. Graças aos primeiros socorros, sobrevivem em 90% dos casos.

Seleção natural nem sempre é sinônimo de egoísmo – em determinadas situações, até o mais Dawkins dos biólogos admite que ser bacana com os outros é um bom jeito de passar seus próprios genes para frente. É o caso das formigas paramédicas africanas, estrelas de um artigo científico publicado hoje pela Royal Society.

Formigas da espécie Megaponera analis, comuns em toda a África, tem cerca de dois centímetros de comprimento. Elas se alimentam de cupins, mas conseguir o almoço não é fácil. Quem já viu um cupinzeiro na beira da estrada sabe que o negócio é um feito arquitetônico. Uma fortaleza impenetrável de terra e sujeira.

A solução é esperar os cupins saírem do “ninho”, e atacá-los quando eles estão se alimentando de matéria orgânica morta. Mais de 600 formigas participam da ofensiva. As mais parrudas abrem caminho no braço, as magrelas matam as vítimas. E nesse processo, é claro, há vítimas. Uma formiguinha mais lenta no gatilho pode ser pisoteada, ou ter uma ou duas pernas arrancadas a dentadas por um cupim pistola.

Ninguém fica para trás. Os feridos que não deram perda total (ou seja, perderam cinco patas ou mais) são carregados de volta para casa por socorristas. Eles limpam os ferimentos e talvez até apliquem antibióticos no local da amputação para facilitar a cura – é difícil saber sem uma análise bioquímica mais detalhada, que ainda não foi feita.

“Nós não sabemos se as formigas só estão removendo a sujeira do ferimento ou aplicando uma substância que combate micróbios para evitar infecções”, afirmou ao The Guardian Erik Frank, biólogo da Universidade de Würzburg e um dos autores do estudo. “O que nós já sabemos é que as formigas feridas que não recebem tratamento morrem 24 horas após o ataque em 80% dos casos.” As tratadas, por outro lado, tem 90% de chance de sobreviver.

As formigas feridas que querem ser resgatadas precisam fazer sua parte, liberando feromônios que informam sua posição. Essas substâncias só podem ser secretadas da forma adequada se a formiga ainda é capaz de parar em pé apesar dos ferimentos – é esse o mecanismo que seleciona, entre as amputadas, as que são um caso perdido e as que têm salvação.

As formigas paramédicas são um exemplo impressionante de como comportamentos altruístas complexos podem emergir em insetos sociais com as pressões evolutivas corretas – mesmo que eles façam tudo no automático, sem a consciência de um herói de guerra. Veja o vídeo abaixo.

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