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França vai parar de financiar homeopatia em 2021

Governo francês decide cortar subsídio a medicamentos homeopáticos - pois não encontrou evidências científicas de que eles funcionem

Por Maria Clara Rossini
11 jul 2019, 18h19

O sistema público de saúde da França financia tratamentos homeopáticos desde 1984, mas isso não vai durar por muito tempo. A ministra da saúde Agnès Buzyn anunciou que o país deixará de reembolsar medicamentos homeopáticos por completo em 2021. A informação foi divulgada em entrevista ao jornal Le Parisien.

O sistema público de saúde da França é um pouco diferente do nosso. Ele funciona por meio de reembolso. Isso significa que qualquer cidadão pode comprar um remédio e ser reembolsado pelo governo. Atualmente, esse sistema não abrange apenas a medicina convencional, mas também remédios homeopáticos.

O governo francês reembolsa 30% do valor do produto homeopático. A partir de janeiro de 2020, a porcentagem vai cair para 15%. Em 2021, a previsão é que o reembolso seja cortado completamente. Segundo Buzyn, o período de transição dará tempo para os fabricantes se adaptarem.

A homeopatia já havia sido colocada em xeque na França. Em março deste ano, um amplo estudo feito pelas Academias Nacionais de Farmácia e Medicina do país concluiu que a homeopatia não tem eficácia comprovada. A pesquisa também mostrou que princípios usados na homeopatia (como a cura por semelhantes e a ultra diluição) não possuem validade científica. 

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A decisão da ministra também condiz com a recomendação da Alta Autoridade de Saúde da França (HAS), uma autoridade pública de pesquisas científicas. Após a publicação das Academias Nacionais, Buzyn pediu ao HAS para verificar a eficácia do tratamento homeopático e se ele deveria fazer parte do sistema público de saúde. Em junho, o HAS se manifestou contra o reembolso.

“A regra é que tudo que for financiado pelo sistema de saúde deve ser avaliado pelo HAS. Os medicamentos homeopáticos são os únicos que não haviam passado por esse procedimento”, disse a ministra ao jornal francês.

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A decisão representa uma grande ruptura com a homeopatia. Segundo a Odoxa, uma empresa de pesquisas francesa, 72% da população do país acredita na homeopatia. A França também é a nação com maior número de médicos homeopatas formados (mais de 20 mil profissionais), apesar de a Academia Nacional de Medicina desaconselhar que as faculdades ensinem homeopatia. 

A França é um dos países mais tradicionais quando se trata de homeopatia. O criador do método, Samuel Hahnemann, nasceu na Alemanha, mas foi na França que ele ganhou maior aceitação. A maior indústria de remédios homeopáticos do mundo, Boiron, também é francesa.

A Boiron, associações de médicos da área e pacientes organizaram a campanha Mon Homeo Mon Choix (Minha homeopatia, minha escolha) para advogar contra a exclusão da homeopatia do sistema público francês. A petição online tem 1,2 milhão de assinaturas.

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Outro país que deixou de financiar a homeopatia foi a Inglaterra. Em 2017, o diretor executivo do Serviço de Saúde Nacional do país disse que os remédios homeopáticos são placebo e representam má utilização do dinheiro público. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) inclui procedimentos homeopáticos desde 2006.

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