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Gatos que têm garras cortadas são mais agressivos e desobedientes

Eles têm mais dificuldade em fazer xixi no lugar certo – e mordem mais seus donos.

Por Guilherme Eler - Atualizado em 11 Maio 2020, 19h24 - Publicado em 23 Maio 2017, 18h50

Onicectomia. Esse é o nome do procedimento realizado para cortar fora as unhas dos felinos. Como em um ambiente doméstico essas garras significam uma real ameaça para sofás e almofadas, a técnica já foi muito empregada pelos donos dos bichanos. Prática hoje ilegal em vários países (desde 2008, no Brasil) e contra-indicada pelos veterinários, a retirada das unhas dos gatos também pode explicar seu comportamento agressivo ou desobediente. É o que diz um estudo publicado no periódico Journal of Feline Medicine and Surgery.

Para fazer essa associação, os pesquisadores analisaram 274 mascotes – metade deles sem as unhas e a outra parte ainda armados com suas garras. Do grupo sem unhas, 33 não possuíam garras nas quatro patas. É comum que se preserve as patas traseiras, já que não oferecem o mesmo risco que as da frente.

Os donos responderam perguntas sobre o comportamento de seus felinos, para verificar o histórico de cortinas rasgadas e móveis arranhados que cada animal possuía. Os cientistas se guiaram também por dois fatores: se eles aparentavam sentir dor e se tinham hábitos como lamber ou mastigar demais seus pelos.

No duelo entre a presença e a ausência de garras, se deram pior os animais que passaram pela cirurgia. Eles se mostraram sete vezes mais desobedientes em relação a hábitos como fazer suas necessidades no lugar certo. Além disso, eram quatro vezes mais mordedores, três vezes mais agressivos e comiam ou lambiam os próprios pelos numa frequência três vezes maior que os outros animais.

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Eles registraram, também, três vezes mais chance de ter dores nas costas do que os outros que ainda possuem garras. Isso porque a cirurgia diminui a altura do bicho. Os pesquisadores acreditam que isso faz com que eles passem a ter que se locomover mais curvados, além de, por conta da dor, terem de forçar mais a região da pélvis para tirar o peso do corpo sobre as patas operadas. Isso que torna as superfícies mais macias, como o carpete da sua sala, um lugar melhor para andar – e fazer as necessidades – do que o quintal.

Esse tipo de dor prolongada, segundo os cientistas, pode ser a explicação para o fato de os gatos serem menos preocupados com essas obrigações formais. As mordidas e o comportamento mais agressivo também entram nessa conta: são uma alternativa de defesa razoável ante a falta de garras. Além do que, ser cordial e tolerante enquanto seu corpo lateja de dor não é mesmo das tarefas mais fáceis.

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