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Imagens de satélite revelam 11 colônias de pinguins até então desconhecidas

Descoberta aumenta o número de pinguins-imperador em 10%, mas também acende alerta, já que as colônias estão em áreas especialmente vulneráveis ao aquecimento global.

Por Bruno Carbinatto - 7 ago 2020, 18h39

Onze novas colônias de pinguins-imperador foram descobertas em áreas remotas da Antártica graças a imagens de satélite, revelando que a população da espécie é um pouco maior do que se pensava até então. Por um lado, a boa notícia vem alivia um pouco as preocupações sobre a vulnerabilidade dessas aves – por outro, acende novos alertas sobre o impacto do aquecimento global nessas populações, que estão em geleiras passíveis de derretimento no futuro.

A descoberta é fruto de uma pesquisa feita por cientistas britânicos e publicada na revista Remote Sensing in Ecology and Conservation. No estudo, a equipe utilizou imagens do satélite Sentinel-2 do Programa Copernicus da Agência Europeia Espacial (ESA), cujo objetivo é fotografar a Terra em alta resolução. O método inovador se mostrou bastante eficiente: oito colônias de pinguins-imperador anteriormente desconhecidas foram identificadas, e outras 3, que já haviam sido parcialmente observadas em missões presenciais, foram oficialmente confirmadas e entraram para os registros oficiais.

Com as novas adições, o número de colônias conhecidas desses pinguins agora é de 61 – um aumento de 20% após a publicação do estudo. “É uma descoberta animadora. Mas, embora seja uma boa notícia, essas colônias são pequenas e, portanto, aumentam a população total em algo entre 5 a 10%, resultando em pouco mais de meio milhão de pinguins no total, ou cerca de 265.500 casais reprodutores”, explica, em nota, o geógrafo Peter Fretwell, autor principal do estudo.

Isso é algo extremamente positivo, especialmente porque a população de pinguins-imperadores está em declinio. Para fins de comparação, estima-se que haja 18 milhões de pinguins-macaroni, por exemplo. Atualmente, os imperadores têm o status de  espécie “quase ameaçada” na lista de animais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), embora alguns grupos argumentem que essa classificação deveria mudar para “vulnerável”, que indica maior perigo e a necessidade de mais políticas de preservação.

O pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) é a maior espécie de pinguim existente, comumente ultrapassando um metro de altura. Essas aves habitam áreas especialmente remotas da Antártica, com temperaturas que podem chegar a -50 ºC, e por isso é difícil encontrar suas colônias em de missões tripuladas (que são mais comuns – utilizar satélites é uma técnica relativamente nova). Três das colônias relatadas no estudo já haviam sido observadas por humanos in loco, mas faltavam dados para comprovar se esses agrupamentos realmente eram colônias fixas de pinguins ou apenas aves isoladas.

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As novas colônias foram encontradas bem distribuídas pelo continente gelado e bastante distantes uma das outras, o que segue um padrão já conhecido da espécie (considerando as comunidades já catalogadas). O novo estudo também encontrou algumas colônias habitando grandes icebergs em água rasa, em alguns casos separados da Antártica continental por mais de 100 km, o que foi uma observação inédita. Embora outras espécies de pinguins habitem essas regiões, imaginava-se que o pinguim-imperador se limitasse apenas à terra firme.

Mesmo que encontrar novos grupos dessa carismática ave seja uma boa notícia, o estudo também identificou riscos graves. Além de pequenas, essas colônias estão localizadas em áreas que estão seriamente ameaçadas pelo aquecimento global.

Algumas espécies de pinguins até conseguem sobrevivem sem um ambiente totalmente congelado, mas, no caso dos imperadores, o gelo é essencial para a reprodução e, posteriormente, para a postura dos ovos e criação dos filhotes, um processo que pode durar mais de 9 meses. O derretimento dessas placas de gelo poderia ter consequências gravíssimas para a espécie.

“Embora seja uma boa notícia termos encontrado essas novas colônias, os locais de reprodução estão todos em áreas em que as projeções de modelos recentes sugerem que o número de pinguins vai diminuir”, explica Phil Trathan, outro autor do estudo. “Precisamos observar esses locais atentamente, pois as mudanças climáticas certamente afetarão essas regiões.”

Estudos anteriores já haviam acendido alerta sobre a redução das populações de pinguins em geral. No começo do ano, uma expedição do Greenpeace alertou para uma grande queda nas populações de pinguins-de-barbicha na Antártica, considerada uma das mais abundantes até então. Em algumas colônias específicas, o número de pinguins dessa espécie chegou a cair 77%. O culpado novamente parece ser o aquecimento global, e não à toa: nesse ano, a Antártida atingiu seu recorde de temperatura, ultrapassando os 20º C.

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