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Justiça suíça decide que lagostas sentem dor

Isso quer dizer que a partir de agora é proibido jogar os crustáceos vivos na panela.

Por Lucas Baranyi 23 jan 2018, 18h26

Se você sente dó de saber que lagostas são colocadas em água fervente ainda vivas para agradar o paladar de seus consumidores, saiba que governo da Suíça pensa igual – e, por conta disso, proibiu (a partir desta semana) o cozimento dos crustáceos através deste método nada agradável aos olhos.

O cientista que conduziu o experimento para entender se as lagostas sentem dor ou não disse que não está 100% seguro de sua conclusão –  mas que ficou tão preocupado com a possibilidade do bichinho sentir dor que só conseguiu realizar o teste uma vez. E não planeja repetir. “Não há provas absolutas, mas os experimentos mostraram que é uma possibilidade consistente de que esses animais sintam dor. Devemos lidar com elas com mais humanidade “, afirmou o professor Robert Elwood, da Universidade de Queens, em Belfast, para o New York Times.

A questão é mais complexa do que você pensa: teoricamente, lagostas não têm anatomia cerebral para sentir dor. Na natureza, elas e outros crustáceos são engolidas inteiras por predadores. Isso, por sua vez, fez com que a seleção natural não tornasse necessária a capacidadede detectar dor por meio de água quente ou choques. Mas isso é só uma teoria. Segundo Michael Tlustly,  biólogo especializado em lagostas da Universidade de Massachusetts Boston, ainda que os bichinhos não tenham a tal anatomia cerebral, é impossível saber o que elas sentem. Quando suas patas são atacados, por exemplo, elas tentam se livrar – mas isso pode ser apenas um reflexo de seus corpos. (Ou é isso que nós humanos queremos acreditar.)

A solução do governo suíço para os chefes de cozinha revoltados é simples: eletrocutará lagosta com um dispositivo chamado Crustatun. Para o Dr. Tustly, porém, a solução é outra: congelar os animais para diminuir as funções de seus sistemas nervosos – para, aí sim, colocá-las na panela.

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