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Luciana Tovo mede o seu stress por meio do acúmulo de cortisol nos cabelos

Exames de sangue só dão os níveis do hormônio no momento da coleta. Para conhecer o histórico de stress de uma pessoa, a #MulherCientista dessa semana optou por outra solução: fazer uma espécie de arqueologia capilar.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 5 dez 2020, 10h16 - Publicado em 5 dez 2020, 10h15

Parte da sua vida está nos fios de cabelo. E não estamos falando só da cor que você escolheu ou do corte que decidiu fazer. Todo o estresse e ansiedade que você passou nos últimos meses ficam acumulados nos centímetros mais próximos ao couro cabeludo.

Por exemplo: o cortisol é um hormônio produzido em situações de estresse. Os pesquisadores geralmente medem a presença dessa molécula por meio de exames de sangue e saliva, mas é normal que a sua concentração oscile ao longo do dia. 

À noite, por exemplo, os níveis de cortisol ficam naturalmente mais baixos que durante o dia. O resultado depende do estresse a que o paciente estava submetido no momento da coleta. É uma boa para avaliar a resposta a estímulos pontuais, mas não funciona para diagnosticar estresse crônico. 

Nesses casos, a maioria das pesquisas utiliza questionários respondidos pelos próprios pacientes. O que não dá tão certo: nossa autoavaliação é subjetiva, e flutua tanto quanto os níveis de cortisol no sangue e na saliva. 

A geneticista Luciana Tovo, da Universidade Federal de Pelotas, cortou o problema pela raiz com uma técnica ainda pouco utilizada no Brasil: analisar o cabelo dos participantes.

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O cortisol é transportado pelo sangue e depositado nos fios de cabelo com o passar do tempo. Os fios crescem, em média, um centímetro por mês. Isso significa que o centímetro mais próximo da raiz acumulou algumas moléculas de cortisol correspondentes a seu último mês de vida. Quanto mais cortisol estiver lá, mais estressante foi o mês.

A pesquisa de Luciana começou antes da pandemia. Entre o final de 2019 e início de 2020, ela recolheu mechas de cabelo de quase 2 mil adolescentes nascidos em 2004 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Eles vêm sendo acompanhados desde que nasceram.

Luciana ainda estava recolhendo amostras quando a pandemia começou. Ela viu aí uma oportunidade: coletar amostras de outros adolescentes após três meses de pandemia e isolamento social. Os três primeiros centímetros da raiz representam o verdadeiro nível de estresse pelos quais os jovens passaram. Aí, basta comparar com as amostras coletadas antes, que servem como um grupo de controle.

A pesquisa ainda está em andamento, porque as análises demoram: cada amostra leva 10 dias para ser processada. 

O cabelo não pode conter qualquer resquício de impureza (nem shampoo). Os fios são triturados até virar pó, e em seguida colocados em uma solução com álcool para a extração do cortisol, o que leva cinco dias.

“É uma técnica muito cara e trabalhosa. Geralmente, quem trabalha com ela analisa um grupo menor de pessoas. O nosso diferencial é que tem mais de 7 mil participantes nesse projeto. Nenhuma pesquisa similar no mundo tem esse tamanho amostral”, diz a pesquisadora. Luciana Tovo recebeu o prêmio Para Mulheres na Ciência pela pesquisa, oferecido pela UNESCO, L’Óreal e Academia Brasileira de Ciências.

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Ciência
Luciana Tovo mede o seu stress por meio do acúmulo de cortisol nos cabelos
Exames de sangue só dão os níveis do hormônio no momento da coleta. Para conhecer o histórico de stress de uma pessoa, a #MulherCientista dessa semana optou por outra solução: fazer uma espécie de arqueologia capilar.

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