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Médicos descobrem que catarro de paciente, na verdade, era fluido cerebral

Americana foi diagnosticada com rinite alérgica por muito tempo, mas o nariz não parava de escorrer. Daí veio a descoberta: na verdade, era líquor

Por Ingrid Luisa 11 Maio 2018, 16h13

Uma das partes mais chatas da gripe é a coriza que insiste em escorrer do nariz. Principalmente quando é aquele líquido transparente fininho, que tem um fluxo bem maior. Mas isso não é lá grande coisa para se preocupar, passa logo. Era nisso que a americana Kendra Jackson acreditava. Porém, seu caso começou a durar mais tempo — anos, na verdade. E todos os diagnósticos não fugiam à regra: ou era gripe ou alguma alergia. Com a persistência dos sintomas, Kendra começou a suspeitar que ali poderia ter algo a mais. E realmente tinha: líquido do cérebro estava vazando pelo nariz.

Kendra só descobriu a verdade porque procurou ajuda especializada no Centro Médico da Universidade de Nebraska, EUA. Lá, ela finalmente entendeu o que estava acontecendo: seu crânio tinha um pequeno orifício, e fazia anos que vazava líquido cefalorraquidiano (também conhecido como líquor ou LCR) por seu nariz. Os especialistas suspeitaram dessa possibilidade quando Kendra relatou que tinha dores de cabeça crônicas e havia sofrido um acidente de carro em 2013 — batendo o rosto contra o painel do veículo. Avaliando microscopicamente a composição do líquido vazado, comprovou-se que era fluido cerebral.

E isso é algo bem sério. Nosso cérebro é um órgão sensível e macio (possuindo a textura de uma gelatina dura, ou um tofu), que sofreria sérias consequências se chocando com o rígido crânio. É por isso que o líquor está lá — servindo como um amortecedor e lubrificante, além de fornecer nutrientes para todo o tecido nervoso (ele também envolve a medula espinhal) e remover resíduos que não servem mais. Kendra perdia cerca de 250 ml desse líquido, tão essencial, por dia. Em dias piores, vazava meio litro. Durante anos.

  • Dependendo da quantidade de perda, casos assim podem ser fatais. Menos líquor também torna infecções como meningite (inflamação na meninge, a membrana que reveste os órgãos do sistema nervoso) bem mais propensas a acontecer. E esse foi o caso de Joe Nagy, ocorrido em 2013, em um situação parecida com a de Kendra: LCR vazava de seu nariz, mas, quando estava pronto para operar e resolver o problema, ele contraiu meningite.

    A americana teve mais sorte. Ela não desenvolveu nenhuma infecção e médicos do Centro Médico da Universidade de Nebraska fecharam o pequeno orifício de seu crânio usando tecidos do nariz e do abdômen da paciente. Meses depois do procedimento, ela alega dormir muito melhor.

    Você que chegou até aqui e tem tendências hipocondríacas, calma: não precisa se preocupar achando que sua coriza, na verdade, é líquido cerebral. Esses vazamentos são raros, ocorrem em aproximadamente 5 a cada 100 mil indivíduos por ano. Casos assim geralmente se originam de algum trauma físico forte (acidente de carro, no caso de Kendra) ou problemas cirúrgicos, de acordo com a CSF Leak Association, organização britânica que estuda o fenômeno. Mas, definitivamente, não é algo que se vê todo dia.

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