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Missão da Nasa pode desencadear chuva de meteoros artificial em 2022

A Dart, que decola em 2022, será arremessada contra um asteroide de propósito, para verificar se seríamos capazes de desviá-lo caso ele estivesse vindo em nossa direção. Os destroços dessa colisão podem se tornar estrelas cadentes inofensivas.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 15 Maio 2020, 17h49 - Publicado em 15 Maio 2020, 17h15

Em filmes de ficção científica, é comum vermos cientistas (e até super-heróis) salvando a Terra de ameaças do espaço. Mas, na vida real, ainda não estamos totalmente prontos para lidar com esse tipo de emergência. Para melhorar nossas chances caso um asteroide se aproxime, pesquisadores da Nasa desenvolveram a missão Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo (Dart, na sigla em inglês). A ideia é arremessar uma nave em um asteroide de propósito.

O que isso tem a ver com a segurança do planeta? Simples: o impacto do veículo com o asteroide pode até não ser capaz de destrui-lo, mas muda sua órbita, desviando o pedregulho errante da Terra. Se os dinossauros tivessem tecnologia suficiente para fazer isso no final do Cretáceo, talvez ainda estivessem por aqui. Mas eles estavam muito preocupados em… mascar folhas. 

Neste momento, não há nenhum objeto cósmico ameaçando a Terra. O asteroide que será atingido é inocente, sua rota não cruza a órbita do nosso planeta. Ele servirá apenas de cobaia. A Nasa pretende realizar a missão Dart em setembro de 2022. E os fragmentos expelidos após o choque com a nave podem entrar na atmosfera terrestre e se desfazer de maneira luminosa com o atrito. Ou seja: o teste pode causar uma chuva de meteoros – a primeira gerada pela espécie humana. Só não pense que será um baita show de estrelas cadentes visíveis a olho nu. Da superfície, com alguma sorte, só vamos ver meia dúzia de gatos pingados.

Vamos entender um pouco melhor como vai funcionar a missão Dart. A cada 20 anos, um sistema de asteroides duplo chamado Didymos (que significa “gêmeos”) se aproxima da Terra, ficando há cerca de 6,5 milhões de quilômetros do planeta. Ele é composto por um asteroide maior (800 metros de diâmetro), chamado Didymos A, e um menor (160 metros de diâmetro), chamado Didymos B. O Didymos B também recebe o simpático apelido de Didymoon (do inglês moon, “lua”), pois ele funciona como um satélite natural que orbita o Didymos A. 

A cobaia para os testes da Nasa será o Didymoon. Ele leva 11,92 horas para dar uma volta completa ao redor do Didymos A; após o choque da Dart, espera-se que ocorra uma aceleração de quatro minutos nesse tempo. A colisão está marcada para o dia 30 de setembro de 2022, já que em 4 de outubro do mesmo ano, o Didymos deve estar na posição mais próxima da Terra, o que vai facilitar com que o choque seja confirmado pelos telescópios. 

Uma pequena sonda em formato cúbico chamada LICIACube, projetada pela Agência Espacial Italiana, deve acompanhar a nave para registrar o impacto. NASA/Reprodução

Apesar do impacto ser intenso, não é forte o suficiente para destruir o astro. Só faz um grande buraco. A previsão é que a batida produza entre 10 e 100 mil quilos de detritos minúsculos, com tamanho na casa dos centímetros, que se espalharão pelos arredores. A maior parte dessas pedrinhas provavelmente será expelida a uma velocidade razoavelmente baixa, 3,2 mil km/h. Por causa disso, ficaram seguindo a pedrona mãe, presas à sua influência gravitacional. 

Mas, dependendo do ângulo do impacto, alguns desses detritos podem atingir velocidades superiores a 21 km/h e desviar para a Terra, podendo atingir o planeta entre 15 e 30 dias após o episódio. Os cientistas consideram tal fenômeno pouco provável – só alguns gramas de material espacial devem invadir nossa atmosfera. Estima-se que uns dez meteoros sejam visíveis durante essas noites. 

De toda forma, ocasionar uma chuva de meteoros capaz de atingir a Terra não parece muito prudente, mesmo com riscos baixos. Aaron Boley, astrônomo planetário da Universidade da Colúmbia Britânica, defende ao The New York Times que a missão deveria ser executada uma semana antes ou depois da aproximação do Didymos, pois isso evitaria a chegada de qualquer destroço na Terra. Mas, Tom Statler, cientista envolvido no programa, afirma que mudar a data não seria possível, já que ela permite a visualização ideal do astro e de suas mudanças pelos observatórios terrestres.

Se a missão correr como o esperado, teremos uma nova arma contra asteroides. Esperamos, porém, nunca precisar usá-la. Afinal, quem teria coragem de machucar uma pedrinha chamada Didymoon, não é mesmo?

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