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Nasa quer estudar Vênus e luas de Júpiter e Netuno em futuras missões

Os quatro finalistas do Programa Discovery disputarão o financiamento da agência para desvendar mistérios do Sistema Solar.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 18 fev 2020, 20h24 - Publicado em 18 fev 2020, 20h17

A Nasa anunciou, no dia 13 de fevereiro, os quatro projetos finalistas de seu Programa Discovery, que financia missões de baixo custo com o objetivo de desvendar os mistérios do Sistema Solar. Nesta edição, os selecionados querem investigar nosso vizinho Vênus, além das luas Io, de Júpiter, e Tritão, de Netuno.

Desde 1992, o Programa Discovery vem desenvolvendo projetos que buscam estudar temas que não estão no calendário dos estudos principais da agência. Os candidatos devem ser missões “rápidas” e “baratas” (pelo menos para os padrões astronômicos da Nasa) e passam por um rigoroso processo seletivo. No total, 12 projetos já foram postos em prática – entre eles, a sonda InSight, que pousou na superfície de Marte em 2018 e, desde então, vem estudando o Planeta Vermelho.

  • Os finalistas da nova edição foram selecionados entre dezenas de projetos submetidos em 2019. Agora, cada equipe vai receber US$ 3 milhões para desenvolver suas ideais até o ano que vem, quando até dois vencedores serão escolhidos para sair do papel.

    Boa vizinhança

    Duas das quatro missões escolhidas têm o mesmo alvo: Vênus. O planeta é vizinho da Terra e está relativamente próximo, mas mesmo assim sabemos bem pouco sobre ele. A Nasa só enviou missões para estudar Vênus duas vezes na história – e a mais recente foi há quase 30 anos, com a sonda Magellan.

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    A primeira das novas missões mirando Vênus é a DAVINCI+, que quer analisar a composição química da densa atmosfera do planeta. O objetivo é entender como ela se formou e se desenvolveu, além de tentar descobrir se o planeta já possuiu um oceano no passado ou, ainda,  se há atividade de vulcanismo atualmente.

  • A outra é a VERITAS, que quer mapear a superfície do planeta rochoso para entender porque ele se desenvolveu de maneira tão diferente da Terra. Vênus é, por vezes, considerado irmão do nosso planeta, já que ambos têm tamanhos parecidos, mas outras características diferem consideravelmente.

    As missões voltadas para Vênus focam em entender o passado e o processo desenvolvimento do planeta de alguma forma – e isso não é a toa. Estudos anteriores indicam que o planeta já possuiu temperaturas estáveis e água líquida em sua superfície, mas algo no meio do caminho mudou o rumo do planeta. Hoje, ele tem uma atmosfera 90 vezes mais espessa que a da Terra, formada basicamente por gás carbônico (CO2) e nuvens de ácido sulfúrico, com temperaturas que chegam a 460º C. Nada amigável.

    As outras duas missões não querem estudar nenhum planeta próximo, mas sim luas deles. O projeto “Io Volcano Observer” tem como objetivo entender o vulcanismo de Io, um grande satélite de Júpiter conhecido por ser o objeto com maior atividade vulcânica de todo o Sistema Solar. O satélite já foi avistado por outras missões da Nasa, e a quantidade e a força das erupções observadas surpreenderam. Contudo, nenhuma análise de perto foi feita para entender os motivos por trás desse fenômeno.

  • Por fim, o último projeto visa desvendar os mistérios de Tritão, a maior lua de Netuno. O satélite já havia sido avistado rapidamente pela missão Voyager 2 quando ela passou pelo planeta, mas seus detalhes ainda não são claros. Basicamente, sabe-se que o astro é congelado, e emite nitrogênio e metano de sua superfície. Essas substâncias, quando resfriadas, voltam a cair na lua em forma de poeira cor-de-rosa. Além disso, os astrônomos sabem que o satélite é relativamente novo em nosso bairro estelar, e que pode esconder um oceano de água líquida em seu interior. 

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