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Nasa tem três planos para defender a Terra de asteroides

Agência vigia 1.800 objetos que poderiam entrar em rota de colisão conosco – e admite usar até bombas atômicas para desviá-los

Por Bruno Vaiano Atualizado em 9 dez 2019, 19h22 - Publicado em 12 jul 2017, 13h50

Aos 8 anos, Lindley Johnson já brincava com telescópio. Formou-se em física e astronomia e passou 23 anos na Força Aérea dos EUA, até conseguir o emprego mais importante do mundo: chefe do Planetary Defense Office, o setor de defesa planetária da Nasa. Sua missão é vigiar os asteroides mais próximos da Terra – e, se algum entrar em rota de colisão, decidir o que fazer. Haja responsa. Mas Lindley topou parar para conversar com a SUPER.

O que torna um asteroide perigoso?
Nós ficamos de olho nos que passam a menos de 48 milhões de km da órbita da Terra. Há um subgrupo considerado potencialmente perigoso, com objetos que passam a 8 milhões de km (20 vezes a distância da Terra à Lua). Há 1.800 deles.

Se um entrasse em rota de colisão conosco, o que vocês fariam?
A chave para a proteção é encontrá-lo a tempo – anos ou até décadas antes do choque, se possível. Quanto mais tempo nós tivermos, mais técnicas e soluções para lidar com ele serão viáveis. Há três soluções possíveis. A primeira seria lançar uma nave contra ele. Isso já seria suficiente para desviar um asteroide pequeno. Uma mudança de menos de 1% na velocidade total do corpo é suficiente para evitar que ele atinja a Terra. A segunda técnica viável é aproximar uma nave do asteroide por um longo período. Gradualmente, graças à gravidade, ela irá tirá-lo de sua trajetória de impacto. Isso demora anos para dar certo, mas é um método super controlado de desviá-lo de sua órbita e colocá-lo em outra, mais segura.

  • A terceira técnica é um artefato nuclear. Ao contrário do que as pessoas pensam, não é preciso perfurá-lo como um poço de petróleo e plantar os artefatos nucleares em seu interior [referência ao filme Armagedom]. Ao acioná-lo ao lado do asteroide, ele dá propulsão ao objeto e o tira da rota. É como um foguete, dá propulsão. Isso funciona com asteroides maiores quando há menos tempo, mas é nossa última alternativa. Se o asteróide não for tão grande, e, segundo nossos cálculos, não for causar tantos danos, nós não faremos nada. É só levar a pancada e garantir que a população da área afetada está protegida. Tudo isso demonstra a importância de saber muito sobre o asteroide. Antes de sua aproximação, nós já precisamos saber sua massa e seu tamanho, e assim descobrir se precisaremos lidar com ele ainda no espaço.

    Estamos em risco?
    Hoje não há, aparentemente, nada em órbita que possa atingir a Terra. Essa é a notícia boa. A ruim é que nós só enxergamos 30% dos asteroides. Há muita coisa lá fora, mas, felizmente, o espaço é um lugar muito grande também.

    Há mais alguém além da Nasa rastreando asteroides?
    Sim, a Agência Espacial Europeia (ESA). Eles fazem muitas coisas em paralelo conosco, tem alguns observatórios e tem um centro de coordenação de projetos na Itália. Isso é bom. Nós gostamos de manter os projetos independentes e correndo em paralelo, e de comparar os resultados deles aos nossos. Assim, nós nos assegurarmos de que estamos fornecendo as melhores informações possíveis.

    Vocês dão apelidos para os asteróides?
    Nós fazemos isso o tempo todo! É claro que há designações oficiais, elas são definidas pela União Astronômica Internacional. Mas nós precisamos conhecer bem sua órbita e suas características antes de batizá-los. Até que a gente passe por esse processo, chamá-los por suas localizações é um pouco chato. São só números. Só para dar um exemplo, um asteróide razoavelmente grande que passaria perto da Terra no Halloween de 2015 foi chamado de “a grande abóbora”.

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