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Novos pterossauros recebem nome inspirado em “Game of Thrones”

Pesquisadores brasileiros nomearam um novo gênero como "Targaryendraco". Pegou a referência? Mas não, eles não cuspiam fogo.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 27 fev 2020, 19h34 - Publicado em 27 fev 2020, 19h17

Game Of Thrones pode ter acabado, mas o legado da história de George R.R. Martin continua – inclusive para a ciência. Um grupo de paleontólogos brasileiros nomeou um novo gênero de pterossauro em homenagem aos dragões da Casa Targaryen. 

Os fósseis do Targaryendraco wiedenrothi foram encontrados em 1984 perto de Hanover, na Alemanha, pelo explorador Kurt Wiedenroth. Apenas em 1991, o bichinho foi classificado como sendo uma nova espécie do gênero Ornithocheirus (conhecido por sobrevoar o céu brasileiro). Mas, com o passar dos anos, foram percebendo que características físicas o separavam dessa denominação. Por fim, acabou que não só ele, mas outras cinco espécies de pterossauros também mudaram de grupo. 

A escolha do nome veio por conta da anatomia dos dragões da série. Eles são gigantes de duas patas, e não quatro, como a criatura é geralmente retratada. Além disso, eles possuem ossos tão escuros quanto a cor dos fósseis que foram encontrados.

Os Targaryendracos eram incrivelmente grandes. De uma ponta a outra de suas asas, somavam três metros de comprimento. “Eles tinham asas compridas e estreitas, o que pode indicar uma adaptação ao sobrevoo do litoral como em aves marinhas”, explica Rodrigo Pêgas, paleontólogo da Universidade Federal do ABC (UFABC) envolvido no estudo. A mandíbula estreita e o formato dos dentes do animal também sugerem uma dieta baseada em peixe. 

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Eles realmente gostavam de uma praia. Os pterossauros do gênero e seus semelhantes foram todos encontrados em rochas formadas em ambientes litorâneos. A datação também nos leva ao período Cretáceo, também conhecido como a “Era dos Dinossauros”. Mas o pesquisador reforça: “Vale lembrar que os pterossauros são répteis parentes dos dinossauros, e não dinossauros de fato.”

A vida (não) imita a arte

Mas e os dragões, existiram? Bom, eles não fazem sentido biologicamente: são grandes demais para voar e, cá entre nós, já viu bicho cuspir fogo? Porém, se fossem reais, a criatura dificilmente teria quatro patas. “Nenhuma espécie de vertebrado possui mais do que quatro membros”, afirma Rodrigo. “Aves, morcegos e pterossauros possuem duas pernas e duas asas – que nada mais são do que braços modificados ao longo da evolução”. Os dragões de Game of Thrones podem parecer estranhos, mas são os que mais se aproximam da realidade.

Vale mencionar que George R.R. Martin, criador da saga, disse ao jornal britânico The Guardian que achou a homenagem “muito legal”. Rodrigo, que é fã da série, diz que foi incrível receber o reconhecimento do autor. Além disso, ele explicou que a pesquisa não deve parar, pois são muitas espécies pouco estudadas e que podem entrar para o grupo – ou até mesmo fazer parte de novos gêneros ainda não criados.

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