Clique e assine a partir de 8,90/mês

O homem foi à Lua, sim. Estes 8 argumentos provam isso

Posição das sombras, bandeira "tremulando", ausência de estrelas e pegadas visíveis dos astronautas. Cada um desses pontos têm sua explicação científica

Por Guilherme Eler - 1 nov 2017, 16h39

A bandeira norte-americana se destaca, soberana, como não poderia deixar de ser o primeiro objeto fincado no cinzento solo lunar. Graças ao pé esquerdo tamanho 41 de Neil Armstrong, acabamos de assinar um evento histórico: a humanidade agora conhece pessoalmente seu satélite natural. Um “pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”, comentou Armstrong, o tripulante mais famoso da Apollo 11, sobre aquele fatídico 20 de julho de 1969.

Nada disso. Na verdade, o evento foi todo coreografado pelo renomado cineasta Stanley Kubrick, e minuciosamente reproduzido em um estúdio de TV de algum lugar do estado de Nevada, nos Estados Unidos. Tudo armado pela Nasa para colocar os EUA uma cabeça à frente do bloco socialista na corrida espacial travada pelas duas potências. A viagem não vinha fora de hora: em abril de 1961, a União Soviética colocara Yuri Gagarin na órbita terrestre, e a resposta tinha que vir na mesma moeda. Ou melhor, com juros e correção monetária.

Embora o primeiro parágrafo explique mais corretamente a realidade, você já deve ter ouvido alguém defender trechos dessa teoria conspiratória em algum momento. A ideia de que não fomos à Lua 48 anos atrás, porém, pode ser desmentida facilmente. Para que você não perca discussões futuras sobre o tema, basta considerar alguns argumentos bastante simples. Vamos a eles.

Cobertura invisível

Os desafios para uma expedição à Lua existem desde o lançamento do módulo lunar. Como uma espaçonave conseguiria passar pelo cinturão de Van Allen? O campo magnético que envolve a Terra e ajuda a isolar partículas muito radioativas emitidas pelo Sol não seria um empecilho para a jornada? E a saúde dos tripulantes, expostos a toda essa radioatividade, como fica?

Continua após a publicidade

Sabe-se que a radiação é menor em determinadas áreas dos cinturões de Van Allen — e são exatamente essas áreas que as espaçonaves procuram atravessar. Para se livrar da influência desse magnetismo, o segredo é apostar na alta velocidade: passando rápido, o percurso dura apenas algumas horas. Essa estratégia faz com que a radiação recebida tenha dose similar a de um raio-X e seja, portanto, inofensiva.

Propulsão

Não há vestígios de que o módulo lunar tenha mesmo pousado na Lua. A atuação de um propulsor, para atenuar o pouso do trambolho de 17 toneladas, não aparece nas filmagens: o chão lunar não está queimado, muito menos há marcas ou algo do tipo na região.

Com a palavra, Ronilson Pinheiro da Silva, físico que argumenta em sua dissertação de mestrado para a UFS (Universidade Federal de Sergipe) que “a combustão da mistura de hidrazina e tetróxido de nitrogênio produz uma substância incolor. Como não havia ar em volta da nave, os gases espalharam-se rapidamente. Ou seja, nada de chamas visíveis. O mesmo vale para a ausência de crateras. Como não há ar, a parte do solo atingida pelos gases não se dispersou. A gravidade menor exige menos energia para a decolagem”.

Sombras

As imagens do homem na Lua não podem ser verdadeiras, uma vez que as sombras dos astronautas não estão paralelas com as formadas pelos outros componentes da cena; ao invés disso, têm angulações distintas. Como o Sol é a única fonte de luz na jogada, e não há atmosfera para difundi-la, tais sombras deveriam aparecer todas num mesmo plano — e não é isso que acontece.

Continua após a publicidade

O que não é considerado é que outras fontes de luz secundárias também contribuem para a composição da imagem. Entram na conta a luz emitida pela câmera dos astronautas, além da reflexão da luz solar em objetos como o módulo lunar, a roupa dos exploradores e na própria superfície da Lua. Batendo nesses objetos, a luz ganha novos destinos, diferentes da fonte original. Por conta disso é que as sombras se comportam dessa forma.

O tópico foi contestado empiricamente pela série de TV MythBusters. Os caçadores de mitos Jamie Hyneman e Adam Savage conseguiram chegar ao mesmo resultado recriando por conta própria a clássica cena do pouso humano na Lua. Depois de simular a topografia da mesma forma que acontece em nosso satélite natural, posicionaram uma lâmpada gigantesca, que simulava o Sol. A luz artificial, da mesma forma, fez que os elementos do cenário replicado gerassem sombras não paralelas.

Ventania

A Lua não possui atmosfera. Então, não existe vento, e sim, vácuo. Como explicar a brisa que balança a bandeira estadunidense, deixando-a como se estivesse tremulando?

Exceto quando tocada por Neil Armstrong ou Buzz Aldrin, a bandeira não se mexe. A falta de atmosfera, porém, faz com que a inércia do movimento que a deixou esticada dure muito mais tempo que na Terra. Ou seja, como não há força para frear esse esticamento da flâmula, a impressão que temos é que ela tremula em solo lunar. Mas não, está paradona, como ficaria qualquer outra toalha se fosse presa daquela mesma forma.

Continua após a publicidade

Estrelas

Como os tripulantes da Apollo 11 fizeram tantas fotos e não capturaram uma estrelazinha sequer no céu? Daqui da Terra, basta olhar para cima de noite para vê-las brilhando distantes.

Antes de tudo, é bom lembrar que estamos em 1969. Ferramentas como o Photoshop estavam apenas no imaginário popular e a fotografia digital daria seus passos só anos mais tarde. Para conseguir captar o brilho das distantes lampadinhas de LED do céu, os astronautas teriam que fazer certos ajustes finos na câmera, como seu tempo de exposição.

Pode reparar: mesmo com boas câmeras, não é tão fácil captar os pontos luminosos no céu. Dada a sua grande distância, a chance de que coisas próximas concentrem a atenção da câmera é bem maior. Corria o risco de, caso deixassem luz de mais entrar, os raios vindos do Sol ofuscassem a superfície clara da Lua para conseguir capturar o cenário visto no céu — além do que, convenhamos, operar a tralha fotográfica com precisão de Cartier Bresson é bem mais difícil quando se está dentro de um traje espacial. Para sobreviverem à temperatura lunar, sabe-se que filmes e câmeras estavam envolvido com material branco, proteção reflexiva usada para frear os raios de luz causados por irradiação — e não comprometer os cliques.

Pegadas

Como a marca do pezão de Armstrong conseguiu ficar marcada de forma tão definida na Lua — a tempo de ser, inclusive, fotografada? Nosso satélite não tem grandes traços de água, que tornariam o solo facilmente marcável pelo peso de algum humano.

Continua após a publicidade

Era uma das missões de Buzz Aldrin, “o segundo”: registrar em foto as marcas que seu sapato fazia no solo, para o estudo da mecânica da superfície lunar. A câmera que eternizou o momento, porém, estava acoplada no exterior da nave. Além disso, não é preciso de umidade para deixar pegadas, como uma andança pelo deserto pode facilmente comprovar. Assim, o solo da Lua, constituído por uma poeira extremamente fina — semelhante ao pó formado por cinzas vulcânicas, por exemplo — explicaria a imagem. A ausência de ventos responde o fato do molde se manter íntegro, pelo menos até a foto de Aldrin.

Carrinho gigantesco

Como subir com um carrinho do tamanho de um bugue para o espaço? Não iria faltar espaço para os tripulantes?

O rover utilizado na missão para que os astronautas explorassem mais confortavelmente a superfície da Lua foi construído com materiais bastante leves, e projetado para ocupar o menor espaço possível dentro da Apollo 11. Você pode ler mais detalhes sobre seu funcionamento — e o trabalho para desdobrá-lo e deixá-lo o mais compacto possível dentro do foguete — neste link. Spoiler: o possante era, sim, real, e capaz de transportar Armstrong, Aldrin e suas ferramentas de forma segura em seus rolês nos entornos da nave.

Efeitos especiais?

E aquela história do Kubrick, como fica? O cineasta por trás de clássicos como 2001 – Uma Odisseia no Espaço não teria repertório para bolar algo tão convincente a ponto de parecer real?

Continua após a publicidade

A tecnologia necessária para se recriar com precisão uma cena digna de Hollywood seria mais avançada que o próprio projeto espacial — é o que explica esse vídeo bastante didático do canal College Humor, lançado recentemente.

A única forma de recriar o esquema de sombras e penumbras seria apostar em lasers super-brilhantes. Esses recursos, em 1969, eram surpreendentemente caros, e deixariam toda a cena em um tom de vermelho. Algo perfeitamente contornável com a ajuda de computação gráfica, claro — não fosse o fato dela ser uma realidade somente décadas mais tarde.

Além do que, se tudo foi mesmo gravado em estúdio, por que não se vê poeira? É difícil manter no vácuo todo um set de filmagem — e garantir que a bandeira estadunidense tremule sem acusar outras marcas na poeira cinzenta fina que constitui o solo.

Publicidade