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O movimento de rotação da Terra influencia na duração dos voos?

Nosso planeta gira constantes 1675 km/h. Uma aeronave que viaja no mesmo sentido desse movimento ganha uma ajudinha extra para chegar antes ao seu destino?

Por Guilherme Eler Atualizado em 25 set 2017, 20h20 - Publicado em 25 set 2017, 18h53

Não, o fato da Terra girar a 1675 km/h no sentido oeste-leste não é capaz de, por si só, encurtar ou prolongar uma viagem. De fato, escolher a rota adequada pode sim ser um atalho para economizar combustível – algo que as companhias aéreas sabem como ninguém. Mas isso não acontece por conta desse movimento natural terrestre, e sim devido à dinâmica das massas de ar.

Enquanto um avião corta o céu, ele se desloca dentro de um fluido – no caso, o ar presente na atmosfera. Nesse movimento estão envolvidas duas velocidades diferentes: a velocidade da aeronave em relação ao ar (chamada na aviação de airspeed), e a velocidade do avião em relação a um ponto fixo no chão (que leva o nome de groundspeed).

A airspeed se relaciona com a rapidez que as partículas de ar passam ao redor do avião. “É com base nela que a aeronave voa”, explica Jorge Henrique Bidinotto, professor do departamento de engenharia aeronáutica da EESC-USP . “Essa velocidade não sofre nenhuma influência da rotação da Terra, porque quando a Terra gira, ela ‘carrega’ junto a atmosfera”, completa. O mesmo acontece com a outra componente, a groundspeed. Também não acontece interferência por parte da rotação terrestre, uma vez que tudo gira junto, na mesma velocidade de nosso planeta.

Considerando apenas esses fatores, seria sempre possível cumprir a mesma distância no mesmo tempo, independentemente da direção que um avião adotasse. Mas não é o que necessariamente acontece, graças a outro aspecto que pode pesar na conta: as correntes orientadas de vento. “Do ponto de vista aerodinâmico, é indiferente se o vento é de proa (sentido oposto em direção à rota) ou de cauda (mesmo sentido da rota). A aeronave fará seu deslocamento dentro da massa de ar”, conta Fernando Madeira, professor da UFABC. “Porém, se o vento for de cauda, a aeronave atingirá antes a seu destino, se comparado com o mesmo deslocamento na condição vento de proa ou mesmo sem vento”.

  • Diretamente ligadas ao movimento de rotação terrestre, as chamadas “correntes de jato” (jet streamsse distribuem no globo de forma bastante particular – como você pode ver neste mapa interativo. Desde que foram descobertas pela primeira vez durante a 2ª Guerra Mundial, caçá-las virou sinônimo de economizar tempo, combustível e dinheiro.

    “Imagine que uma aeronave esteja voando a 200 nós (1 nó = 1,852 km/h) de airspeed. Se ela estiver a favor do vento, e esse vento for de 20 nós, sua groundspeed será de 220 nós (200+20)”, diz Bidinotto. Nesse cenário, com velocidade superior, o avião chegaria mais rápido até seu ponto final.

    É por causa desses atalhos que, por exemplo, voar de Nova York para Los Angeles demora uma hora a mais do que cumprir o roteiro Los Angeles-Nova York. Ou então, ir de Tóquio para Los Angeles pode ser 30% mais rápido – graças à corrente de jato do Pacífico. Também com a ajuda do vento, o roteiro entre EUA e Reino Unido pode ser, em alguns trechos, cumprido com velocidade até 160 km/h superior

    “Por outro lado, se essa mesma aeronave estivesse contra um vento de 20 nós, sua groundspeed seria 180 nós (200-20), fazendo com que ela tivesse que ficar mais tempo voando para chegar ao mesmo destino”. É por conta disso, destaca Bidinotto, que as máquinas aéreas costumam sempre viajar com mais combustível que o necessário para cumprir sua rota original. Como qualquer desvio pode demandar um caminho maior, prevenir é melhor que remediar.

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