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O pedregulho vem do céu

A colisão de um asteroide não é uma questão de "se", mas de "quando". E, na hora que o pior acontecer, pode exterminar a vida na Terra

Giuliana Miranda

Asteroides são um jeito testado e aprovado de provocar uma carnificina na Terra. Há 65 milhões de anos, os dinossauros reinavam absolutos até que, sem mais nem menos, um desses corpulentos objetos despencou por aqui. O pedregulho de mais de 10 quilômetros de diâmetro (mais comprido que o Everest, a maior montanha do mundo) caiu em uma região do que hoje é o México, mas foi suficiente para provocar uma extinção em massa em todo o planeta.

O impacto, é claro, foi violento. Estima-se que a pancada tenha liberado energia comparável à explosão de mais de 1 bilhão de bombas atômicas. Mas, por incrível que pareça, o pior não foi o choque em si.

Além de grandes incêndios e maremotos, a queda do asteroide levantou poeira e detritos suficientes para ocultar a luz solar. A partir daí, teve início um efeito dominó de grandes proporções e escala global. No escuro, as plantas não conseguiam completar a fotossíntese e acabaram morrendo. Os animais que se alimentavam delas começaram a passar fome por tabela e também não sobreviveram. Por fim, os carnívoros ficaram sem ter o que jantar e também passaram dessa para uma melhor. E foi assim durante um longo período, o suficiente para acabar com dinossauros e com praticamente tudo o que havia de vivo na Terra e que precisasse de grandes quantidades de alimento. Só sobraram as pequenas criaturas.

Os asteroides são os resquícios do material que deu origem ao nosso Sistema Solar, 4,6 bilhões de anos atrás. Os cientistas sabem que há milhões deles, desde pequenas bolinhas até monstrengos quilométricos, zanzando por aí. A maioria se concentra em um cinturão entre Marte e Júpiter, mas isso não é regra.

Infelizmente, assim como os raios, os asteroides também podem cair duas vezes no mesmo lugar. De 1995 até o primeiro semestre de 2012, a Nasa já encontrou quase 900 asteroides grandes, com mais de 1 quilômetro de diâmetro, nas imediações da Terra. Outros milhares com dimensões mais modestas também já são conhecidos. A coisa toda é tão preocupante que a agência espacial americana mantém um programa permanente de monitoramento dos chamados NEOs (objetos próximos da Terra, na sigla em inglês). Entra nessa categoria tudo que está orbitando a até 200 milhões de quilômetros do Sol. A órbita da Terra fica a 150 milhões de quilômetros do astro-rei. E, se o amontoado tiver mais do que 150 metros de comprimento, já é classificado como potencialmente perigoso.

O Brasil também se preocupa com a questão, e tem até um grupo próprio para caçar asteroides e cometas (outra potencial ameaça): o projeto Impacton, do Observatório Nacional (leia quadro abaixo).

De maneira geral, os asteroides são acompanhados apenas por pouco tempo após sua descoberta. É feito um cálculo preliminar da sua provável órbita e, se é verificado que eles não têm perigo de colisão com a Terra, eles são logo descartados. Isso não seria um problema, mas muitas vezes esses objetos têm a órbita alterada por influências gravitacionais. E é aí que eles podem acabar vindo exatamente na nossa direção.

A boa notícia é que, diferentemente dos dinossauros, os humanos não estão indefesos. Se o asteroide fosse descoberto com antecedência, seria possível criar alguma maneira de desviar, ou até mesmo destruir o atrevido. A maneira mais provável – e menos sutil – seria usando bombas atômicas. Sim, você pensou certo, é exatamente como nos filmes (exceto pela parte do Bruce Willis).

Não tenha medo! Brasucas vão à caça

OS ASTEROIDES QUE SE CUIDEM

O projeto Impacton consiste em um telescópio no interior de Pernambuco que varre o céu em busca de asteroides próximos. Hoje, a maior parte desse tipo de pesquisa se concentra em centros do Hemisfério Norte. “Então, nós temos a chance de encontrar algo em que ninguém mais prestou atenção”, explica Sérgio Fontes, diretor do Observatório Nacional.