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O que explica o fenômeno da “Superlua Rosa”?

A lua cheia do dia 26 de abril foi a primeira das duas superluas que acontecem em 2021. Entenda de onde vem o termo e o que de fato ocorre no céu.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 30 abr 2021, 09h27 - Publicado em 27 abr 2021, 18h04

A primeira superlua de 2021 ocorreu na madrugada da última segunda-feira (26). Durante a noite, nosso satélite natural pareceu até 14% maior e 30% mais brilhante do que o comum. Além disso, o fenômeno foi descrito como uma “superlua rosa” – mas quem olhou para o céu não encontrou o tom rosado.

“Superlua” não é um termo científico – na verdade, é exatamente o oposto. O nome foi cunhado pelo astrólogo Richard Nolle em 1979. Ele dizia que a proximidade da lua cheia ou lua nova com a Terra causaria maior incidência de terremotos, tempestades e desastres naturais – algo que nunca foi observado na prática.

Mesmo assim, o termo começou a ser usado na mídia e fora do meio acadêmico para descrever a cena que ocorre quando a lua cheia atinge o perigeu (momento da órbita em que o satélite natural está mais próximo da Terra). A terminologia mais usada na astronomia é Lua de Perigeu-Sizígia. Vamos entender o que ela significa.

A Lua completa uma volta em torno do nosso planeta ao longo de 27 dias (movimento de translação). Em alguns momentos, ela fica em uma posição entre a Terra e o Sol. Depois, é a Terra que fica entre a Lua e o Sol. E assim por diante. 

As fases lunares nada mais são do que a nossa perspectiva, como observadores da Terra, do movimento de translação da Lua. A lua cheia ocorre quando estamos olhando para a face do satélite que está totalmente iluminada, como na ilustração abaixo (que está fora de escala para ressaltar o fenômeno).

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Redsapphire/Shutterstock

Essa órbita tem o formato de uma elipse, com a Terra ligeiramente deslocada do centro. O ponto mais próximo da trajetória é o chamado perigeu, quando a Lua fica a uma média de 363 mil quilômetros do planeta. O local em que ela está mais distante é o apogeu, a 406 mil quilômetros daqui.

Se você prestar atenção, vai perceber que a Lua da ilustração acima é, coincidentemente, uma superlua. Ela está cheia exatamente quando atinge o perigeu. Mas isso não é regra. 

Se a Terra permanecesse estática na posição mostrada na figura, veríamos manchetes de superluas todos os meses. Acontece que o planeta também faz a translação em torno do Sol, o que altera a posição da elipse da Lua em relação a ele. Em outras palavras, nem sempre a Lua estará cheia quando chegar no perigeu – ela pode estar minguante ou crescente, mas aí a cena não causa grande impacto no público terrestre.

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A lua cheia também não precisa estar exatamente no perigeu para ser considerada uma superlua, mas ter completado pelo menos 90% da órbita até ele. Diferentes publicações astronômicas consideram duas ou quatro superluas por ano, dependendo da interpretação do quão perto a lua deve estar do perigeu.

O fenômeno oposto – quando a lua cheia está no apogeu – é chamado de microlua. Da mesma forma, ela pode parecer até 14% menor e 30% menos brilhante nesse período.

  • Superlua rosa

    A cor associada ao fenômeno tem razões históricas. Na década de 1930, uma publicação chamada Maine Farmer’s Almanac passou a descrever as luas de cada mês com base nas crenças da cultura nativo americana. A lua rosa faz referência à flor Phlox subulata, nativa do leste dos Estados Unidos. A planta floresce na primavera do hemisfério norte, e por isso ficou associada ao mês de abril. A lua cheia de junho é a do morango, enquanto a de setembro é a da colheita de milho.

    Campo florido com a planta Phlox subulata
    Campo florido com a planta Phlox subulata VCG/Getty Images

    A Nasa descreve a lua deste mês não só como uma “superlua rosa”, mas também como a “lua do peixe”, “lua do ovo”, entre outras associações feitas por diferentes culturas. Em nenhuma delas o nome tem a ver com a cor do satélite.

    Ilusão de ótica

    Uma Lua 14% maior do que o normal não parece ser grande coisa – e se você olhar para o céu, de fato não vai ver uma diferença gritante. Mesmo assim, pelo menos duas vezes por ano, seu feed do Instagram fica repleto de luas gigantescas. Na verdade, o fenômeno não passa de uma ilusão de ótica.

    A lua parece maior quando está próxima ao horizonte, pois nosso cérebro tende a compará-la aos prédios ou à paisagem que estão ao fundo. No entanto, se você esticar o braço e posicionar o dedão em cima dela, conseguirá cobri-la do mesmo jeito. Essa ilusão é conhecida há séculos (Ptolomeu já conhecia o fenômeno), mas continua confundindo nossa mente. 

    Ou seja, a lua de hoje é praticamente idêntica a de ontem. Ela não está totalmente cheia, mas continua perto da Terra. A próxima superlua ocorrerá no dia 26 de maio e estará 0,04% mais próxima do que a da noite passada. Quem observa de casa, no entanto, não verá a menor diferença.

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