Clique e Assine SUPER por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

O que faríamos se um cometa estivesse em rota de colisão com a Terra?

Essa é a pergunta que move a trama de “Não Olhe para Cima”, nova produção da Netflix. Conversamos com ​​Amy Mainzer, consultora científica do filme, para entender o que é fato ou ficção.

Por Maria Clara Rossini
Atualizado em 23 dez 2021, 09h47 - Publicado em 23 dez 2021, 09h43

Todo mundo já se perguntou o que aconteceria se um cometa (como aquele que matou os dinossauros) estivesse a caminho da Terra agora. A resposta curta é que a humanidade provavelmente seria extinta. A resposta longa rende um filme da Netflix de duas horas e meia: Não Olhe para Cima, que chega à plataforma no dia 24 de dezembro.

Na trama, a pós-doutoranda Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) descobre um cometa do tamanho do Monte Everest a caminho do planeta. Ele deverá colidir com a Terra em apenas seis meses. Esse é o tempo que Kate e o professor Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) têm para convencer o governo e a população a tomar alguma atitude.

O longa mistura suspense e comédia, mas não abre mão do rigor científico – pelo menos na maior parte da história. A astrônoma Amy Mainzer, da Nasa, foi consultora científica do filme. Conversamos com a pesquisadora para entender o que é fato e o que é pura ficção científica.

Continua após a publicidade

Segundo Mainzer, o processo de descoberta do cometa é bem fiel à realidade. A personagem Kate Dibiasky encontra o objeto ao acaso, enquanto estava observando e estudando estrelas. Ela registra diferentes imagens que, quando combinadas, mostram um objeto em movimento. “As fotos que você vê no filme são imagens do telescópio da Neowise, da Nasa, no qual eu trabalho”, diz Mainzer.

Descobertas ao acaso não são raras. Foi assim com os raios X, micro-ondas, penicilina, Viagra e botox, só para citar alguns. O mesmo ocorre na astronomia. No filme, não é só a descoberta acidental que chama a atenção, mas o pouco tempo até o impacto. Um cometa tão próximo da Terra não teria sido descoberto antes?

Não necessariamente. No caso de cometas com períodos longos, que vêm das partes mais distantes do Sistema Solar, a descoberta pode ocorrer apenas alguns meses antes do momento de maior aproximação com a Terra. 

Continua após a publicidade

Mainzer dá o exemplo do cometa Neowise, descoberto em 27 de março de 2020. Poucos meses depois, no início de julho, ele já havia atingido o momento da trajetória mais próxima do Sol. “Não é incomum que os astrônomos encontrem cometas dessa classe – que estão vindo de tão longe – apenas alguns meses antes do momento de maior aproximação.”

Mas ela também tranquiliza os espectadores: “​​O espaço é tão grande que geralmente não há chances de que ele colida com a Terra. É extremamente improvável”, diz a astrônoma.

Por mais improvável que seja, nós da Super resolvemos brincar com esse cenário. Perguntamos à pesquisadora o que a humanidade poderia fazer, realisticamente, para não ser extinta.

Continua após a publicidade
Compartilhe essa matéria via:

Salve-se quem puder

Qualquer atitude que as autoridades e pesquisadores pudessem tomar dependeria do tempo antes da colisão. Descobrir um cometa seis meses antes que ele bata com a Terra é diferente de descobri-lo 20 anos antes do impacto. “Quanto mais tempo, melhor. Assim poderíamos estudar o objeto e teríamos mais chances de alterar sua trajetória de alguma forma”, diz a pesquisadora.

Continua após a publicidade

Ela admite que construir e lançar uma espaçonave em menos de seis meses, como ocorre no filme, é ficção científica. Uma missão desse porte precisaria de anos de planejamento.

Explodir ou fragmentar o cometa só ocorreria em última instância. O ideal seria descobrir o objeto com alguns anos de antecedência e então enviar uma missão (não tripulada, é claro) para empurrá-lo, desviando a trajetória de colisão com a Terra.

A Nasa está fazendo exatamente isso no momento. No último dia 24 de novembro, a agência espacial americana lançou uma sonda para dar um empurrãozinho em um asteroide. A diferença é que ele não está em rota de colisão com a Terra – mas os dados gerados no experimento devem ajudar caso isso ocorra algum dia. A sonda deve atingir o asteroide no final de 2022.

Continua após a publicidade

No final das contas, não há uma resposta única. A estratégia adotada também vai depender do tamanho e dos materiais que compõem o cometa. A comunidade astronômica internacional deverá estudar as características do objeto para bolar uma solução específica para ele.

Só que nada disso vai adiantar se as autoridades não derem ouvidos aos cientistas. Não Olhe para Cima faz uma ótima analogia com o aquecimento global – que ainda é negado por políticos e parte da sociedade, mesmo após a ciência apresentar evidências concretas da crise climática desencadeada pela ação humana. Afinal de contas, é bem mais provável que a humanidade seja extinta devido às mudanças climáticas do que pelo impacto de um cometa.

Não Olhe para Cima chega à Netflix no dia 24 de dezembro. Confira o trailer abaixo:

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Super impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.