Sonda da Nasa é primeira espaçonave a “tocar” o Sol
A Parker Solar Probe está explorando a coroa solar para ajudar os cientistas a entender o campo magnético, o "vento" e a evolução da estrela. Entenda.
Pela primeira vez na história, uma espaçonave entrou na atmosfera solar: a Parker Solar Probe, sonda lançada em 2018 pela Nasa. A agência anunciou a notícia na última terça-feira (14), meses depois do ocorrido em 28 de abril – porque levou algum tempo até que os cientistas recebessem os dados da sonda e pudessem confirmá-los.
A sonda voou no interior da coroa solar, parte mais externa da atmosfera do Sol, e coletou amostras de partículas por lá. Isso aconteceu na oitava aproximação da espaçonave com o Sol, quando ela estava a cerca de 13 milhões de quilômetros do centro da estrela. Isso foi registrado em estudo publicado na revista científica Physical Review Letters.
O objetivo da Parker é explorar essa região de perto para entender melhor, por exemplo, a dinâmica do campo magnético solar e a origem do vento solar. Segundo Thomas Zurbuchen, gerente do Diretório de Missões Científicas da Nasa, o feito pode ensinar sobre a evolução do Sol e seus impactos no sistema solar, mas vai além. “Tudo que aprendemos sobre nossa própria estrela também nos ensina mais sobre estrelas no resto do universo.”
O Sol tem uma atmosfera superaquecida, feita de material ligado à estrela a partir da gravidade e de forças magnéticas. À medida que o calor e a pressão afastam esse material para longe do Sol, e a gravidade e as forças magnéticas são fracas para contê-lo, ele atinge um ponto chamado superfície crítica de Alfvén. As partículas que ultrapassam esse ponto tornam-se o vento solar: um fluxo de gases ionizados que atravessa grande parte do sistema solar.
Os pesquisadores não sabiam exatamente onde ficava a superfície crítica de Alfvén – que é uma fronteira entre atmosfera e vento solar. Agora, cruzamos esse ponto pela primeira vez. Os cientistas confirmaram a entrada da sonda na coroa solar por meio de imagens e medições de campo magnético e vento solar.
A sonda mergulhou na coroa solar e saiu pelo menos três vezes, com transições suaves. Ela revelou que a superfície crítica não é como uma bolha lisa ao redor do Sol, como se imaginava, mas tem irregularidades que a deixam enrugada.
Dados preliminares indicam que a Parker também mergulhou na coroa em outra aproximação feita em agosto, mas os cientistas ainda farão mais análises para confirmar. A Parker continuará orbitando o Sol até 2025, se aproximando cada vez mais da estrela.






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