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Onde está o cometa Halley?

O cometa que frustrou muita gente em 1986 vai voltar a dar as caras no céu terrestre em 2061. Até lá, seguirá cumprindo sua rota bem longe do nosso planeta

O Halley é um cometa famoso que “visita a Terra” a cada 75 ou 76 anos, quando atinge o ponto mais próximo do Sol – o periélio. De acordo com a ESA (Agência Espacial Europeia), ele teria sido observado pela primeira vez ainda em 239 a.C. Outro estudo, porém, diz que essa data é ainda mais distante: os gregos antigos, em 466 a.C, teriam sido os primeiros a flagrar o cometa cruzando o céu terrestre. Sua última aparição foi em 1986. Por alguns dias, ele ficou (mais ou menos…) visível até mesmo a olho nu. Ao se afastar da Terra, o cometa seguiu em sua órbita elíptica.

Segundo cálculos da Nasa, ele está hoje a pouco mais de 5 bilhões de quilômetros do Sol, bem mais afastado que o gelado Netuno, por exemplo. Isso representa mais de 30 vezes a distância entre a Terra e nossa estrela mãe. E ele segue se afastando. Estima-se que o Halley irá atingir o ponto mais distante do Sol – o chamado afélio – no final de 2023. Nesse ano, o cometa estará a 5,3 bilhões de km do Sol, e, então, irá iniciar seu caminho de volta. Somente em 2061 é que deve acontecer a próxima “visita” do Halley – o ano em que ele atinge o periélio novamente. Ainda é cedo para cravar em qual época de 2061 ele estará mais perto da Terra. Mas a Nasa estima que será no mês de junho.

A velocidade do Halley não é constante. Segundo a Nasa, em 1910, ele passou aqui pela “vizinhança” a 70,6 km/s. Já em 1998, sua velocidade era de 63,3 km/s. A órbita do Halley é retrógrada: ele gira no sentido contrário ao dos planetas. Ela também é inclinada “para baixo”, formando um ângulo de 18º com a órbita do Sol.

VER OU NÃO VER, EIS A QUESTÃO

O esperado cometa frustrou muita gente em 1986

1910

A visita do Halley no início do século 20 foi muito comentada porque era a primeira feita com a existência de tecnologias de gravação. O cometa foi fotografado pela primeira vez e ganhou “fama mundial”.

1986

Cercado de expectativas, o Halley ofereceu um espetáculo bem menor que o esperado. Além da poluição luminosa, que prejudicou sua observação, a interação dele com a radiação solar deixou-o menos brilhante e visível que o esperado. A intensidade de seu brilho teve intensidade relativamente fraca (+2) – quanto menor, mais brilhante. Foi, porém, a primeira vez que pudemos enviar um satélite para flagrá-lo de perto: uma sonda da ESA chegou a estar 596 km do cometa, fazendo imagens em boa resolução.

2061

Em 2061, o Halley deverá se aproximar da Terra basicamente do mesmo jeito que na última visita. Ou seja, os problemas de 1986 – excesso de luzes e poluição das grandes cidades – podem se repetir e até mesmo se agravar até lá. A magnitude de seu brilho, segundo estimam os cientistas, será de -0,3.

2134

Na vez seguinte, o Halley deve passar a 13,9 milhões de quilômetros da Terra, garantindo um brilho de magnitude -2. Ou seja, para quem assiste daqui, o cometa terá bastante destaque – piscando de forma mais intensa do que Sirius, por exemplo, a estrela mais brilhante do céu noturno, que tem magnitude na casa de 1,4. Isso se a poluição (ambiental e luminosa) não atrapalhar a experiência novamente, é claro.