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Partículas mais antigas que o Sistema Solar são encontradas em meteorito

Os grãos pré-molares sobreviveram às altas temperaturas da zona de surgimento do Sol e podem ajudar a compreender esse cenário.

Por Carolina Fioratti 30 jan 2020, 17h19

O meteorito Allende, que caiu na região norte do México em 1969, continua proporcionando descobertas para a ciência. Em uma recente pesquisa, feita na Universidade de Washington (EUA), cientistas descobriram na rocha evidências de um material mais antigo que o próprio Sistema Solar. 

São grãos pré-molares – uma poeirazinha interestelar que se originou momentos antes do surgimento do Sol. O achado surpreendeu os cientistas, já que, normalmente, tais grãos costumam ser encontrados em meteoritos primitivos. 

The Planetary Society/Reprodução

As partículas foram identificadas em uma região específica do meteorito, que recebeu o nome de “Curious Marie”, em homenagem a física Marie Curie. Os pesquisadores tinham à sua disposição 20 microgramas desse pedaço do meteorito, composto por formações, chamadas de inclusões refratárias, ricas em alumínio e cálcio (CAI). 

Já os grãos são de carboneto de silício pré-molar (SiC). Eles foram identificados a partir de assinaturas isotópicas de gases nobres. Isso significa que os cientistas “marcaram a substância”, ou seja, foram esquentando gradativamente a rocha e medindo a composição dos isótopos (mesmo elemento com diferente número de nêutrons) de neônio liberados. Ao total, separaram 17 diferentes temperaturas, obtendo resultado satisfatório ao final.

  • “Era lindo quando todos os gases nobres apontavam para a mesma fonte das anomalias”, disse Olga Pravdivtseva, principal autora da pesquisa, se referindo ao SiC. Outros cientistas já haviam tentando a mesma manobra, mas a equipe de Pravdivtseva é a primeira a realizá-la com êxito.

    As altas temperaturas às quais os grãos foram submetidos faz com que sua existência se torne surreal. Tudo aconteceu durante a formação do Sol e do Sistema Solar, em um cenário de concentração escaldante de gás e poeira. 

    A pesquisadora acredita que isso pode ajudar na compreensão das condensações dos primeiros materiais sólidos e no entendimento de como era o ambiente por aqui naquela época. Além disso, ter conhecimento dos primeiros objetos formados contribui para a definição exata da idade do Sistema Solar, estimada em 4,57 bilhões de anos.

    Vale dizer que outros pequenos grãos que não são de SiC também foram identificados no meteorito, o que resultará em mais pesquisas sobre a nebulosa solar – nuvem de gás relacionada ao surgimento do nosso sistema. 

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