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Por que a gente sonha?

A resposta mais direta, que você pode usar para explicar aos seus filhos: a gente sonha para conseguir armazenar memória.

Por Giovana Marchetti - Atualizado em 16 abr 2020, 20h13 - Publicado em 31 out 2008, 22h00

Só porque sonhamos somos capazes de aprender com as experiências vividas. Memórias podem ser comparadas a gavetas em que são guardadas as emoções. À noite, durante o sono, elas são abertas e organizadas. Só ficam as que importam. As que não importam são descartadas.

É durante uma fase do sono chamada REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos) que acontecem os sonhos mais intensos. “Nessa fase é como se o sono fosse inundado e modificado pelas emoções”, explica Daniela Ceron-Litvoc, da Faculdade de Medicina da Santa Casa. Durante o REM, é muito difícil acordar quem está dormindo. O corpo fica mole, mas a atividade cerebral é intensa. Tão intensa que se assemelha à atividade de quando se está acordado.

Segundo as suspeitas de alguns cientistas, essa atividade mental noturna é crucial para a preservação da espécie porque ela permite reter conhecimento. Não sonhar significaria baixa capacidade intelectual, o que nos manteria nas cavernas até hoje.

Mas não se assuste se você – acha que – não sonha. A gente só se lembra dos sonhos se desperta, no máximo, 10 minutos depois de ele acabar. É por isso que quem acorda várias vezes durante a noite costuma ter a sensação de que sonha muito. É também por isso que quase sempre nos lembramos dos pesadelos: sonhos incômodos ou assustadores costumam nos despertar, mesmo que em pouco tempo voltemos a dormir.

O contexto em que estamos inseridos é capaz de influenciar o enredo dos nossos sonhos. Momentos de tensão, sofrimento emocional e mesmo físico podem fazer com que o sonho contenha coisas ruins. “Refletir sobre o que foi sonhado pode nos ajudar a ter mais consciência dos sentimentos vividos e auxiliar na busca por maior equilíbrio emocional”, pondera Daniela.

Raio X do sono

O sono é dividido em quatro fases, que têm durações diferentes e se repetem quatro a seis vezes por noite

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1. SONO LEVE
É o estágio do adormecimento, caracterizado por aquela sonolência que sentimos logo após deitar. As ondas cerebrais funcionam a um ritmo 70% menor do que a atividade quando estamos acordados.

2. SONO MÉDIO
A temperatura corporal e os ritmos cardíaco e respiratório diminuem. As ondas desaceleram mais ainda. Estado semelhante ao meditativo.

3. SONO PROFUNDO
É o momento em que o corpo se recupera do cansaço diário. Fundamental para a liberação dos hormônios relacionados ao crescimento. O cérebro está lento: estamos muito distantes do estado de consciência.

4. REM
Cérebro desperta e volta a ficar muito ativo: os músculos ficam paralisados, enquanto as batidas do coração voltam a aumentar. A mente faz uma espécie de faxina geral na memória: é durante essa fase que a gente sonha. Bebês e crianças têm uma proporção maior de sono REM. Recém-nascidos chegam a passar 70% do sono nessa fase.

SIGMUND FREUD

Foi um médico austríaco que dedicou sua vida a entender os mistérios da mente. No livro A Interpretação dos Sonhos, publicado na virada para o século 20, Freud estabeleceu as bases da psicanálise e apresentou suas ideias inéditas sobre os processos inconscientes envolvidos nos sonhos.

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