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Por que há tantos gatos siameses vesgos?

As cores do pelo e dos olhos podem dizer muito sobre esses animais

Por Yuri Vasconcelos - Atualizado em 5 dez 2018, 11h12 - Publicado em 29 fev 2004, 22h00

A alta ocorrência de estrabismo é uma consequência dos cruzamentos que resultaram no surgimento dos gatos siameses.

“Quando a raça foi criada no Sião, atual Tailândia, foram selecionados involuntariamente genes que acarretaram alguns defeitos, como o estrabismo, e uma pequena falha na ponta da cauda, que pode ser em forma de L”, diz o veterinário Gelson Genaro, da USP de Ribeirão Preto, especialista em gatos.

O estrabismo, no caso dos gatos siameses, geralmente é convergente – os dois olhos virados para dentro. Os especialistas supõem que essa característica está relacionada ao mesmo gene causador do albinismo.

Um dos gatos mais populares do mundo, o siamês era um animal sagrado no Sião. Sua linhagem era cuidadosamente preservada e eles nunca eram vendidos, mas presenteados como forma de honrar uma pessoa. Diz a lenda que eles eram encarregados de fazer a guarda de tesouros do reino e acabaram ficando vesgos porque os vigiavam muito de perto.

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Os primeiros relatos sobre essa raça remontam ao ano 1350, mas foi apenas no século 19 que ela chegou ao Ocidente. O cônsul inglês Owen Gould recebeu alguns animais de presente do próprio rei do Sião, em 1884, e os levou para Londres, onde fizeram enorme sucesso numa exposição de felinos.

O curioso é que, embora boa parte dos bichanos dessa raça sofra de estrabismo, só bichanos com olhos perfeitos têm valor comercial e participam de exposições.

TRÊS CORES
Outra peculiaridade genética dos gatos é o fato de animais com pelo de três cores – branco, amarelo e preto – quase sempre serem fêmeas. Quando um bichano tricolor dá de ser macho, ele possui três cromossomos (o normal são dois) e é estéril.

SURDEZ ESTÁ NOS OLHOS
Se um gato tem pelo branco e olhos azuis, ele é portador de um gene que também o torna portador de surdez total ou parcial. Geralmente esses animais conseguem levar uma vida normal – já os filhotes de fêmeas assim dificilmente sobrevivem porque as mães não ouvem seus miados.

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