Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Quase metade dos mamíferos da América do Sul veio da América do Norte

Pesquisadores sugerem que maior incidência de animais vindos apenas de um dos continentes está relacionada à extinção das espécies que viviam no sul.

Por Carolina Fioratti 13 out 2020, 18h00

Há dez milhões de anos, ocorreu o evento que ficou conhecido como Grande Intercâmbio Americano. Graças à atividade de placas tectônicas, formou-se uma faixa de terra que ligou a América do Norte à América do Sul – o chamado Istmo do Panamá. Com o caminho aberto, os mamíferos poderiam finalmente atravessar de um continente para o outro, causando uma onda migratória e intercâmbio entre espécies. Enquanto cavalos, ursos e raposas chegavam aqui, ancestrais de gambás, tatus e porcos-espinhos tomavam a direção contrária. 

Mas há uma ponta solta nessa história. Na estimativa dos cientistas, os animais deveriam ter migrado em proporções iguais para o norte e para o sul, mas não é isso o que se verifica atualmente. Hoje, apenas 10% dos mamíferos norte-americanos têm ancestrais sul-americanos, enquanto quase metade dos sul-americanos descende dos norte-americanos. O que justifica essa discrepância? 

  • Uma pesquisa publicada no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences pode finalmente trazer essa resposta. Após uma análise de 20 mil fósseis, os pesquisadores concluíram que o grande culpado pela troca biológica desigual foram os processos de extinção em massa que atingiram os animais do sul. A hipótese de que mais animais do norte teriam migrado para o sul também cai por terra por falta de evidências. 

    Logo que o Istmo do Panamá se formou, a troca entre espécies nos continentes ocorreu de maneira relativamente equilibrada. Foi nos últimos cinco milhões de anos, durante o Plioceno, que a diversidade começou a desaparecer. Neste período, muitas espécies sul-americanas podem ter sido prejudicadas devido às mudanças climáticas, que deixaram o planeta mais frio e seco. 

    Também houve competição e predação entre as espécies dos dois continentes. Muitos animais vindos do norte, como o já extinto tigre dentes-de-sabre, podem ter se beneficiado devido a suas posições de caçadores. Juan Carrillo, pesquisador do Smithsonian Tropical Research Institute no Panamá e autor do estudo, explicou que “provavelmente a razão para as extinções é bastante complexa e inclui algumas interações biológicas e mudanças de habitat”. Nas próximas pesquisas, os cientistas devem estudar a fundo quais foram esses eventos de extinção e porque tiveram efeitos tão devastadores.

    Continua após a publicidade
    Publicidade