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Revisões da ciência: as mesmas cores e cavalos?

A SUPER e a sua missão em trazer novas respostas a velhas perguntas

De que cor era o cavalo branco de Napoleão? Todo mundo já ouviu esta pergunta, pelo menos uma vez. Era uma “pegadinha” meio tola, pra não dizer infame. Não obstante, já foi até moda: servia de brincadeira para programas de auditório e para titios que queriam ser simpáticos com os sobrinhos. Tios chatos. A graça da coisa estava em fazer o interlocutor pensar para dar uma resposta que já vem embutida na pergunta. A graça era fazê-lo pensar sem necessidade. “De que cor é o cavalo branco de Napoleão?”, perguntava um. O outro começava a matutar, virava o olho e contraía as sobrancelhas tentando raspar o tacho da memória que nunca teve: “Marrom!”.

Desta vez, a SUPER resolveu pintar o bicho. De preto. De roxo. De cor-de-rosa. Foi o recurso que nós encontramos – um recurso fictício – para ilustrar que boa parte daquilo que fazemos por aqui é, em sentido figurado, revelar outras cores no cavalo branco de Napoleão. O nosso trabalho é apresentar as respostas mais inesperadas para as perguntas mais antigas. E também para as novas. Normalmente, respostas diferentes daquelas que vêm embutidas na pergunta.

De quem eram as minas do Rei Salomão? Na página 8, mostramos que elas não eram do rei Salomão. Qual o maior carnívoro de todos os tempos? Na página 28, contamos que não é o Tiranossauro rex. Ele acaba de perder o posto para o até aqui desconhecido Giganotossauro. Para a formação de um novo ser humano você precisa de um óvulo e de um espermatozóide, certo? Errado! Observado pela primeira vez em 1677 pelo microscopista holandês Antonie van Leeuwenhoek, o espermatozóide era a metade indispensável para a fabricação de um novo ser humano. Pois, senhoras e senhores, não é mais. A partir da página 23 você vai ver que, além do óvulo, basta apenas uma espermátide, um estágio anterior do espermatozóide, que nem rabinho tem.

A ciência é assim mesmo. Caminha às reviravoltas. Que são cada dia mais rápidas, mais numerosas e mais espetaculares. O ritmo é tão violento que a gente não tem opção: é preciso reprogramar constantemente o modo de ver e de compreender o mundo. Vai ver que é por isso que a ciência, como o próprio mundo, é tão superinteressante. E quando algum tio à antiga aparecer na sua frente perguntando de novo a cor do cavalo branco de Napoleão, você pode começar a rir antes de responder. A resposta certa de hoje pode ser uma piada amanhã. Repetindo: vai ver que é por isso que a ciência é tão superinteressante. E, convenhamos, tão divertida.