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Serpentes sertanejas

Uma expedição ao sertão do Piauí, uma das biodiversidades mais interessantes e menos pesquisadas do país, revela cobras cheias de cores e truques para sobreviver na caatinga e no cerrado

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h34 - Publicado em 31 Maio 2002, 22h00

Rafael Kenski

ASSUSTA MAS NÃO MATA

O olho vermelho, as cores vivas e o ar demoníaco da Oxyrhopus trigeminus enganam: “Ela parece perigosa, mas é dócil”, diz o biólogo Hussan Zaher, que capturou o espécime da foto. Sua aparência pretende confundi-la com uma cobra coral, muito venenosa. Mas a peçonha desta cobra, fraquinha, só faz mal a lagartixas e roedores

VERDINHA DO CERRADO

Graças à camuflagem verde e à habilidade de passar a vida toda nas árvores, a Leptophis ahaetulla ganhou o nome de cobra-cipó. Durante a estação úmida, esse réptil agressivo, mas pouco venenoso, fica camuflado entre a folhagem. O problema é quando vem a estiagem e tinge o sertão de tons pastéis.

SALVA VIDAS

Por que um bicho tão bem armado como a cascavel (Crotalus durissus) avisa os inimigos da sua presença soando o próprio chocalho? É que seu veneno, que mata as presas em segundos, de nada adiantaria se a cobra fosse pisoteada por um animal grande, como um cavalo. Ao espantar o animal, o chocalho salva a vida dos dois.

QUITUTES DO DESERTO

Como é que pode, em plena caatinga, viver uma cobra que se alimenta de peixes e rãs? Pois pode. Ali só chove três meses por ano, mas as poças que resistem abrigam alimento suficiente para sustentar algumas cobras d’água (Liophis mossoroensis). Os cientistas só não sabem como ela acha esses raros animais.

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BARRIGA VAZIA

As cobras não param de crescer durante toda a vida, mas o aumento de tamanho depende da quantidade de comida que existe no ambiente. A jibóia (Boa constrictor) pode chegar a mais de 3 metros na Amazônia, mas não passa de 2 metros no Nordeste, onde os ratos de que se alimenta são mais escassos.

CHEIA DE SI

Quando se sente ameaçada, a caninana (Spilotes pullatus) incha o papo até que as escamas pareçam linhas finas presas na pele esticada. Essa artimanha faz com que ela pareça maior e assusta predadores como falcões, gambás e gatos do mato, mas não impede que ela seja caçada pelos fazendeiros.

NUMA BOA

As cobras do cerrado como esta salamanta (Epicrates cenchria) sobrevivem facilmente no calor e com pouca água. A temperatura do seu corpo oscila segundo o ambiente. Se o dia está muito quente, elas vão para uma sombra.

O BICHO CORRE, ELA PEGA

A papa-pinto (Drymarchon corais) caça desde pássaros no topo das árvores até lagartos no chão. Para isso, basta passear em silêncio seu corpanzil, com mais de 2 metros de comprimento, e dar o bote nos bichinhos que, ao vê-la, deixam o esconderijo e fogem.

Frases

Movido por medo ou por fome, o homem é a maior ameaça às cobras no sertão

Apesar dos grandes olhos, as serpentes se orientam mesmo é pelo olfato

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