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Tão pequena partícula, tão grande mistério

Além de poucos, os neutrinos chegam aqui em jatos irregulares.

Neutrinos são partículas subatômicas produzidas pelo Sol em quantidade absurda. A cada segundo, 60 bilhões atravessam cada centímetro quadrado da Terra. Mas isso ainda é pouco. Em teoria, o número deveria ser pelo menos três vezes maior. Não bastasse o misterioso sumiço, os físicos estão com mais uma pulga atrás da orelha. Comparando os resultados de três detectores de neutrinos – Homestake, nos Estados Unidos, Gallex, na Itália, e o recém-inaugurado Superkamiokande, no Japão –, os americanos Peter Sturrock e Guenther Walther, da Universidade de Stanford, notaram que, a cada 21 dias, as partículas chegam ao solo em jatos até 100% mais intensos. Há duas explicações possíveis: ou os neutrinos sofrem interferência do campo magnético do Sol ou as reações nucleares solares também são cíclicas.

Peneira subterrânea

O maior detector de neutrinos do mundo, o Superkamiokande, entrou em operação em abril. Ele fica enterrado 1 quilômetro abaixo da superfície, numa mina de zinco na cidade de Kamioka, Japão Central. É um tanque de 40 metros de altura e 39 metros de diâmetro, carregado com 50 000 litros de água. As paredes do tanque são recobertas por 11 200 sensores que captam o facho luminoso que as partículas emitem quando se chocam com as moléculas do líquido.